O Morros dos Ventos Uivantes

Para um filme que se propõe a ser uma versão ousada e sexy do clássico livro de Emily Brontë (que eu nunca li), “O Morro dos Ventos Uivantes” não desperta nenhum tesão ou tensão. Parte da culpa é da total falta de química entre Margot Robbie e Jacob Elordi, donos de belos rostos e corpos que, juntos, não despertam nenhuma faísca na tela. Mas o casal de atores, por pior que esteja no terceiro longa de Emerald Fennell, não é culpado sozinho pelo fracasso da produção.

Acompanhe Esse Filme que Passou Foi Bom também no Instagram

Depois de uma estreia promissora no interessante e contemporâneo “Bela Vingança” (ela foi indicada ao Oscar de melhor direção e ganhou o de roteiro original pelo longa), a cineasta já mostrou em seu segundo trabalho (“Saltburn”) uma predisposição a trocar coerência narrativa por opulência estética. 

Em sua nova obra, um drama de época que fica entre o soft porn carola (a título de comparação, a série gay do momento – “Rivalidade Ardente” – é muito mais sem vergonha ao retratar cenas de sexo) e a ingenuidade das tramas de novelas das 18h, a coisa desanda de vez, com Fennell abraçando um artificialismo que só serve para desviar a atenção de uma trama vazia e cansativa.

O problema de “O Morro dos Ventos Uivantes” (que já ganhou umas tantas adaptações cinematográficas que, por incrível que pareça, essa é a primeira que vejo) nem é tanto a trama de amores trágicos que terminam em mortes e/ou loucura. A questão é que Emerald Fennell parece estar muito mais interessada em banhar a história em imagens supostamente impactantes do que realmente oferecer um novo olhar e leitura sobre o livro, que versa sobre paixão e ganância, posse e vingança. 

Então dá-lhe vestidos e véus esvoaçantes para atribuir alguma beleza e sentido a Margot Robbie (péssima; depois desse aqui e do também horroroso “A Grande Viagem da Sua Vida”, a atriz precisa urgente de um filme bom) e Jacob Elordi (um pouco menos péssimo) se lamentando em mais de duas horas de uma produção que desperta zero emoção. Para piorar tudo, os atores sucumbem em meio a diálogos pavorosos e a uma adaptação que torna praticamente todos os personagens pessoas insuportáveis, sendo difícil torcer para alguém. 

Em meio a cenários que gritam atenção, somos obrigados então a ver uma encenação ora grotesca, ora opulenta que parece só reforçar a falta de carisma dos personagens e dos atores e a pretensão da diretora. Nem mesmo a sempre ótima Hong Chau (“A Baleia”) consegue se salvar, principalmente graças a um papel ingrato de “vilã”.

Se sutileza nunca foi o forte de Emerald Fennell, em “O Morro dos Ventos Uivantes”, a diretora perde a mão de vez ao se entregar aos excessos. Mas nada, nenhum elemento do longa consegue se fazer interessante, nem mesmo os figurinos ou o uso anacrônico das canções originais de Charlie XCX

Para saber onde ver os filmes, pesquise no JustWatch

O resultado é um show de horrores que tenta disfarçar o comportamento infantil dos personagens com “plumas e paetês”. Claro que não dá certo e já temos um forte candidato, ainda em fevereiro, a um dos piores filmes de 2026. O que era para ser sexy sem ser vulgar é apenas tedioso e broxante.

Leia mais:
Marty Supreme
O Agente Secreto
Frankenstein

Deixe um comentário