“Estilhaços” muito promete e entrega praticamente nada, reforçando a ideia de desgaste da estética Ryan Murphy de se fazer TV. Críticas a um dos midas da TV da última década à parte, raramente as produções dele são entediantes. Mas “Estilhaços” é basicamente um tédio só, com câmeras lentas e figurinos e maquiagens oitentistas tentando disfarçar uma trama oca e… chata.
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Em sua terceira série apenas neste ano (o sucesso “Love Story” e a já em “stand by” “The Beauty”), a trama gira em torno de uma série de assassinatos que assusta um grupo de jovens ricos que moram na Los Angeles do início dos anos 1980. As mortes começam a acontecer junto com a chegada de um novo rapaz com um passado misterioso, despertando uma pulga atrás da orelha do protagonista e narrador da série.
Se a premissa é interessante, em especial graças à ambientação nos anos 1980, “Estilhaços” nunca se torna um programa realmente interessante, sempre se apoiando em sua estética para manter a atenção do espectador e a trama viva. Com personagens e subtramas demais, tudo parece solto e mal amarrado, ainda que a ideia seja desenvolver personagens e situações em outras temporadas.
Além do serial killer, por exemplo, há uma seita de religiosos que também comete assassinatos na área, mas isso nunca é realmente desenvolvido. Em outro exemplo, na cena final da primeira temporada, um personagem para lá de coadjuvante aparece em uma sala do nada junto com o resto do elenco principal como possível suspeito dos crimes.
Se o desenvolvimento da história é quase apático, no quesito estético e de atuação, a série tenta seguir a linha da afetação de Ryan Murphy. Mas, ainda assim, tudo é filmado sem impacto, jogando todo o peso da dramaturgia nos ombros dos belos atores.
Mas o elenco também não segura a atenção, e “Estilhaços” sobrevive mais por suas intenções do que propriamente pelas atuações em si, desperdiçando, por exemplo, a ótima Evan Rachel Wood (claramente se inspirando em Michelle Pfeiffer, em “Scarface”) e a boa sacada de colocar os filhos de Cindy Crawford (Kaia Gerber) e Richard Gere (Homer Gere) atuando juntos.
Outro problema é a narração para lá de pedante e rebuscada do protagonista, uma versão fictícia do autor Bret Easton Ellis (escritor de obras renomadas como “Psicopata Americano”, “Regras da Atração” e do próprio livro que dá origem à série). A falta de talento do novato Igby Rigney, sempre com a cara constipada, só piora tudo, tornando a narrativa ainda mais arrastada do que ela já é.
Enquanto a série acerta na trilha sonora, ela parece errar ainda na caracterização dos personagens, em especial os jovens. Estes nunca se vestem, falam ou agem como adolescentes. A estratégia parece remeter à animação dos anos 1980 “Turma da Pesada” (que acompanhava uma turma de adolescentes riquíssimos em Beveryl Hills), mas não funciona em uma trama com atores de carne e osso.
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A primeira temporada de “Estilhaços” é, assim, uma promessa que nunca se cumpre, uma boa ideia no papel que ganha uma encenação apagada e sem graça ao longo de nove episódios irregulares. Diante do gancho do episódio final, resta saber se os produtores vão pagar para ver se o programa ganha mais vida em uma segunda temporada, ou se a série irá direto para o limbo, assim como “The Beauty”.
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