A Vida Secreta de Walter Mitty

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Muita gente conhece Ben Stiller por causa de suas atuações cômicas em filmes como “Uma Noite no Museu” e na série “Entrando numa Fria”, mas o rapaz com cara de bobo e lindos olhos azuis também possui uma carreira como diretor, sendo responsável por um dos longas que ajudou a definir a geração dos anos 1990, o ótimo “Caindo na Real”. De lá para cá, Stiller dirigiu alguns sucessos (“Trovão Tropical”), fracassos (“O Pentelho”) e cults (“Zoolander”).

Em seu mais novo trabalho atrás e à frente das câmeras, A Vida Secreta de Walter Mitty, Stiller mistura as linguagens do cinema, publicidade e videoclipe e pega emprestado cacoetes do cinema independente e dos blockbusters para criar uma produção mais interessada em causar impacto audiovisualmente do que em termos narrativos. Apesar de belissimamente filmado e trazer várias musiquinhas indies de partir o coração (Stiller desfila um Arcade Fire ali, um David Bowie aqui, um Of Monsters and Men acolá), o roteiro do filme é uma bagunça só.

Na trama (inspirada em um conto já adaptado por Hollywood na década de 1940), Stiller vive Walter Mitty, o típico personagem perdido do cinema independente americano (ele poderia muito bem ser substituído pelo Nicolas Cage em “O Sol de Cada Manhã” ou pelo Will Ferrell de “Mais Estranho que a Ficção”). Ele trabalha na revista Life, não tem vida social, está apaixonado por uma colega de trabalho (a sempre simpática Kristen Wiig) e acaba perdendo o negativo que seria a capa da última edição impressa de uma das principais revistas do mundo.

A partir dessa premissa não muito original, Stiller se esmera na fotografia e em criar cenas impactantes para compensar o roteiro esquemático e amarradinho demais. Ao seu lado estão a aura melancólica da produção (ainda que totalmente fabricada), a simpatia do elenco (com direito a participações de Shirley MacLaine e Sean Penn) e um final que presta uma bela homenagem ao universo das revistas impressas.

Pesando contra, a falta de um roteiro mais lapidado para justificar o esmero técnico da película, a pretensão de obra de autoajuda que paira durante toda a projeção do filme e a mistura de comédia romântica insossa com drama edificante que não cola. Mas, mesmo longe de ser a grande obra inspiradora que Stiller pretendia lançar, não há como negar que “A Vida Secreta de Walter Mitty” é bem bonitinho de se ver e ouvir.

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