Cinquenta Tons de Cinza

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“Cinqüenta Tons de Cinza” é um livro ruim. Não precisa ter lido a obra ou ser muito inteligente para saber que o livro é mal escrito e parte de uma premissa machista/conversadora para agradar leitor(a)s que, muito provavelmente, nunca deram uma boa trepada na vida.

Partindo desse princípio, não havia muito o que esperar da adaptação do livro para o cinema. Mas o que poderia ser uma vantagem para o longa (expectativa nenhuma pode gerar uma boa surpresa) vira mais do mesmo na tela grande. Cinqüenta Tons de Cinza, o filme, é realmente ruim e não foge da sina de sua contraparte literária.

O longa não funciona nem como comédia involuntária, o que realmente parece ser em vários momentos. A encenação é elegante e luxuosa, mas os diálogos são cafonas e rasos. Não existe dramaticidade, não há química entre os atores, não existe tensão ou tesão. Para um filme sexy, “Cinqüenta Tons de Cinza” só deve excitar quem realmente não faz a menor ideia do que seja sexo.

O filme segue aquela mesma linha soft porn bem comum nos anos 1980 e 1990. Ele deve muito aos longas dirigidos por Adrian Lyne, por exemplo: “9 e ½ Semanas de Amor”, “Proposta Indecente” e por aí vai… Mas, por incrível que pareça, os anos 80 e 90 eram menos politicamente corretos e conservadores, então “Cinqüenta Tons de Cinza” é uma versão censura livre daquelas produções que passavam de madrugada na Band. Pasmem, mas, em 2015, o legal é ser conversador. E o longa bebe na fonte dos reacionários.

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A mise-en-scène é limpinha, quadrada e careta, feita para a classe C emergente e pudica não se chocar, ainda que o tema peça choque. A trilha sonora, cheia de canções com sussurros e gemidos, tenta atribuir sensualidade e sexualidade a cenas frias e mal conduzidas por uma direção apática e tímida de Sam Taylor-Johnson (“O Garoto de Liverpool”). O filme não quer ofender e opta por ser genérico.

Mas o pior da produção é mesmo a representação dos dois personagens principais (os coadjuvantes não existem). Ela é uma universitária virgem, ingênua e desprotegida que busca o amor romântico de novela das seis. Ele, um milionário bonito cheio de mistérios e que curte uma ~putaria~. E para por aí. O filme já começa sem rodeios com os dois se conhecendo. A partir dessa cena inicial, que nem de longe demonstra existir alguma faísca entre os dois, já sabemos que a produção vai naufragar.

Dakota Johnson (filha dos atores Don Johnson e Melanie Griffith) se esforça, geme, fica nua, apanha sentada, deitada e em pé, mas, na maioria das vezes, sua personagem é apenas patética: uma mulher apaixonada que cede às vontades do macho para não perdê-lo. Jamie Dornan tira a barba e a roupa e até convence como um homem charmoso e sexy, mas seu personagem é tão mal desenvolvido e engessado que só resta ao ator ditar suas falas de modo quase robótico.

“Cinqüenta Tons de Cinza” segue assim em ritmo lento e chato até o final. As cenas polêmicas, me desculpem, não causam polêmica alguma. O sexo sado-masoquista é representado cheio de culpa, em meio a uma fotografia escura e envergonhada. A sensação é que falta algo, e falta sim: roteiro, direção, ousadia, peito, pau, bunda e gozo no final.

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