Oscar 2015: indicados por ordem de preferência

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Entra ano e sai ano e o Oscar continua uma caretice só. Raras são as vezes em que os filmes realmente importantes e bons são indicados ao prêmio. Mais raras ainda as vezes em que eles ganham.

“Magnólia”, “Matrix”, “Clube da Luta”, “Réquiem para um Sonho”, “Drive”, “Reino Animal”, “Os Excêntricos Tenenbaums”, “Três Reis”, “O Abutre”, “Sob a Pele”, entre tantos outros clássicos modernos, são alguns exemplos de filmes que não foram indicados ao prêmio principal.

Mas filmes genéricos ou simplesmente ruins, como “Os Miseráveis”, “Minhas Mães e Meu Pai”, “Um Sonho Possível”, “Tão Forte e Tão Alto” e mais um penca que ninguém nem lembra, foram.

Entra ano e sai ano, no entanto, ainda me deixo levar pelo marketing da premiação e tento ver pelo menos todos os filmes indicados ao prêmio de melhor filme. Eis minha ordem de preferência desse ano:

Whiplash – É o menor filme e o melhor. Um raro exemplo de que, às vezes, a academia reconhece obras que realmente empolgam. Dirigido e editado com vigor, o longa subverte o clichê “professor inspirador transforma vida de aluno”. O resultado é um filme apaixonante e apaixonado sobre persistência.

Boyhood Richard Linklater lança seu olhar sobre a vida e a passagem do tempo nesse longa-metragem que narra a vida de um garoto ao longo de 12 anos. A realização é épica, mas a narrativa se apega ao simples e ao cotidiano para fazer o espectador refletir sobre atos banais e escolhas. Mesmo sendo um pouco longo demais, é um filme que parte do pequeno para atingir um escopo imenso.

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Selma – Tinha tudo para ser o “Lincoln” desse ano, ou seja, um filme chato, pesado, histórico e “importante”. Mas a diretora Ava DuVernay surpreende e entrega, sim, um filme importante, mas bem dirigido, emocionante e relevante. Costurado com precisão, o longa é conduzido pela ótima atuação de David Oyelowo, injustamente ignorado ao Oscar de melhor ator. O filme, aliás, só recebeu duas indicações (filme e canção), mas merecia muito mais.

A Teoria de Tudo – Ser convencional e clichê não significa ser ruim. Esse longa que narra a relação entre Stephen Hawking e sua esposa é a prova disso. Emocionante e, às vezes, piegas, o longa de James Marsh (“O Equilibrista”) é dirigido de modo quase careta, mas funciona graças à honestidade do roteiro e da química entre os dois atores (Eddie Redmayne e Felicity Jones).

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Birdman – O filme de Alejando G. Iñarritu é um grande truque que mistura crítica cultural e existencialismo. O longa começa bem e desperta curiosidade graças à estrutura que se pretende contínua. Mas as firulas da direção e fotografia não escondem que a produção traz críticas demais e profundidade de menos. Bom ou ruim, o longa tem um grande elenco que mantém o interesse mesmo com a fragilidade do roteiro.

O Grande Hotel BudapesteWes Anderson já fez coisa bem melhor, mas o diretor mais indie-hipster-alternativo de todos os tempos só começou a cair nas graças do público depois que ele passou a se repetir e quase se auto-parodiar (“Moonrise Kingdom”). Aqui, ele reúne seu grande elenco habitual para dirigir uma trama calculada milimetricamente para agradar. O elenco é incrível, a direção de arte parece glacê de bolo, mas a fórmula é cansativa. Diverte, é bem feito, mas Anderson já fez coisa muito, muito melhor.

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Sniper AmericanoClint Eastwood sendo Clint Eastwood: americano ufanista, chato e um diretor desleixado. O filme é tenso nas cenas de batalhas, mas mal amarrado e pouco convincente enquanto drama. Menos culpa do roteiro inspirado em uma história real e mais da típica direção “não to nem aí” de Eastwood. Bradley Cooper está bem, mas não consegue fugir muito das falas clichês e patriotas do personagem (sua indicação é injusta, ainda mais porque ele ocupa o lugar que deveria ser de Jake Gyllenhaal ou David Oyelowo). A produção é puro discurso preguiçoso para americano ver. E eles viram. Mesmo sem ser uma continuação, um filme de super-herói ou baseado em algum livro infanto-juvenil, o longa já arrecadou mais de US$ 300 milhões nas bilheterias dos EUA. É muito dinheiro para pouco filme.

O Jogo da Imitação – Os deuses do cinema que me perdoem, mas esse filme aqui não é referência de bom cinema nem aqui nem na China. Quadradinho e sem um pingo de inovação, a trama é arrastada, a direção é genérica e a edição vacilante. O elenco está ok, mas ninguém realmente se destaca. Não chega a ser um filme ruim, mas é totalmente esquecível e, claro, será devidamente esquecido.

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