O Ano Mais Violento

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JC Chandor é um desses raros cineastas que consegue transformar histórias aparentemente sem graça em grandes filmes. Sua estreia é sobre a crise imobiliária e financeira nos Estados Unidos no final dos anos 2000, com vários personagens teorizando sobre a situação. No seu segundo trabalho, ele coloca Robert Redford sozinho em um barco à deriva no meio do oceano. Ambos têm estruturas difíceis, mas são ótimo filmes graças à direção centrada de Chandor.

Em O Ano Mais Violento, Chandor aposta em uma narrativa mais convencional, focada na tentativa de um empresário em vencer nos negócios de forma honesta, isso no ano mais violento da história de Nova York. O cineasta começa seu terceiro longa de forma lenta, sem pressa em apresentar os personagens e o contexto de uma história que envolve corrupção, violência, política e traição.

Em 1981, Abel (um cada vez melhor Oscar Isaac) tenta expandir o negócio de distribuição de combustível em meio a assaltos constantes à sua frota de caminhões, à pressão dos concorrentes e a tentativas da esposa, filha de mafiosos, em levá-lo para o caminho da corrupção. Em meio a tudo isso, ele tem que enfrentar acusações de um procurador da justiça que investiga o setor de combustível.

Deixando o suspense e a violência e lado, Chandor está mais interessado em explorar os caminhos morais dos personagens, a relação de Abel com sua esposa (uma cada vez melhor Jessica Chastain), seu advogado (Albert Brooks), o procurador (David Oyelowo) e seus concorrentes, todos com cara de gente que não se confia.

O resultado é que a tensão do filme está mais na ambientação e na relação entre os personagens e menos em suas ações. Isso pode incomodar um pouco o público mais afeito à ação, correria, tiros e explosões. Mas “O Ano Mais Violento” é um prato cheio para o espectador que prefere um bom roteiro com ótimos atores e uma encenação classuda.

O longa pode até demorar um pouco a engrenar, mas quando acontece se revela um grande filme cheio de camadas e de possibilidades. Nunca foi tão difícil vencer de forma honesta quanto em 1981.

PS: “O Ano Mais Violento” é um desses casos em que um grande filme não leva nenhuma indicação aos Oscar. Merecia, no mínimo, para roteiro original e atriz coadjuvante.

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