Demolidor

MARVEL'S DAREDEVIL

O Demolidor é um dos melhores personagens da Marvel, mas ganhou um filme bem cagão em 2003, protagonizado pelo Ben Affleck. Naquela época, ainda não se sabia muito o que fazer com heróis no cinema e, com algumas exceções, o filão era bem mal visto pela crítica e não atraia o vasto público que atrai hoje.

Atualmente, com a dominação mundial da Marvel, o cenário é outro. Super-heróis estão nas páginas dos quadrinhos, nas telonas de cinema e invadindo também as telinhas de TV. Esse tipo de produto não virou apenas um gênero, mas sim o gênero mais lucrativo da indústria de entretenimento.

Mesmo com a superexposição desse gênero, que gera aberrações como o reboot de “Homem-Aranha” (que já vai ganhar outro reboot) e do “Quarteto Fantástico” ou coisas como “Lanterna Verde”, da DC, o público não mostra sinais de cansaço e consome toda e (quase) qualquer coisa lançada com as marcas da Marvel e, em menor escala, da DC.

O resultado desse crescente interesse é a parceria entre a Marvel e a principal plataforma de convergência entre cinema, televisão e internet, o Netflix. O homem sem medo foi escolhido como o primeiro fruto dessa parceria, e o resultado é uma ótima série de 13 episódios bastante fiel ao espírito do Demolidor.

A história segue o mesmo caminho dos quadrinhos. Um jovem advogado, que perdeu a visão e desenvolveu os outros sentidos em um acidente quando ainda era criança, luta para fazer justiça na Hell’s Kitchen, um bairro barra-pesada de Nova York. De dia, ele aceita a causa de injustiçados como o advogado Matt Murdock; à noite, vira o defensor de fracos e oprimidos na pele do vigilante Demolidor (um trajeto cheio de semelhanças com o universo do Batman, personagem da concorrente DC).

Com um ótimo roteiro e direção, a série consegue construir e desenvolver muito bem o personagem, mostrando seus conflitos morais, éticos e religiosos em meio a muito sangue e violência gráfica.

Sombria e realista, a série é, no entanto, mais do que lutas coreografadas, suspense e cenas de ação. Temos personagens coadjuvantes bem delineados e estofo dramático para sustentar o espetáculo, coisa mais difícil de conseguir em um longa-metragem de duas horas.

O vilão, o chefão do crime Wilson Fisk, também é bem construído e foge do esquema maniqueísta da luta entre bem e mal. O personagem tem suas razões e princípios e é muito bem defendido por um enorme Vincent D’Onofrio.

O pouco conhecido Charlie Cox (“Stardust”) também defende muito bem seu Matt Murdock/Demolidor, saindo-se melhor do que Affleck no longa-metragem. Carismático, o ator entende os conflitos do herói e cresce ao longo da série, culminando no surgimento de um Demolidor mais maduro e experiente ao final da primeira temporada.

Com todas as peças no lugar e entregando uma série que respeita os personagens e seus fãs, “Demolidor” abre caminho para outros personagens que vão ser explorados pela parceria Marvel/Netflix: Jessica Jones, Punho de Ferro, Luke Cage. A série prova que os super-heróis ainda têm muito a oferecer a um público ávido por heróis e vilões.

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