Chappie

Chappie_Movie

Neill Blomkamp ganhou o mundo com sua interessante estreia em “Distrito 9”, ficção científica que fugia um pouco do esquema hollywoodiano do gênero. Logo em seguida, o diretor trocou os pés pelas mãos no confuso “Elysium”. Em seu mais recente trabalho (Chappie), Blomkamp mostra que “Distrito 9” foi sorte de principiante e entrega um filme caótico e constrangedor.

Aproveitando uma premissa que vai beber na fonte de inspiração de uma série de outras ficções científicas (“Blade Runner”, “Robocop”, “Inteligência Artificial”, “Eu, Robô” e “Ela” são alguns exemplos), o cineasta sul-africano desperdiça todas as boas ideias do roteiro, uma por uma, sem a menor cerimônia.

O principal problema do longa é mesmo o roteiro. A trama é uma bagunça que mistura policiais robôs, criminosos, engenheiros e personagens saídos de uma rave dos anos 90. Tudo sem critério ou razão, com personagens indo, vindo e mudando de postura sem a menor coerência.

Além do roteiro não desenvolver a trama, ele ainda peca na construção de um bando de personagens que não despertam o menor carisma e se perdem em diálogos vergonhosos e constrangedores. Na maior parte de “Chappie”, eles desfilam sem rumo nos diferentes tons que o longa adota: a comédia é involuntária, o drama é vazio, a ação é mal amarrada e o suspense inexiste.

É triste ver uma boa atriz como Sigourney Weaver ser desperdiçada. E mais triste ainda ver um Hugh Jackman em seus piores dias. Mas um dos maiores problemas do longa em termos de atuação é mesmo de Sharlto Copley, que fica responsável por dar vida ao robô policial que é seqüestrado para ganhar uma alma e cai nas mãos de uma tribo de cyberpunks simplesmente insuportável. Copley entrega um Chappie mais para retardado do que infantil, a proposta inicial do roteiro.

O filme até pincela algumas questões interessantes: o robô tomando consciência de si mesmo e agindo de forma mais humana do que os humanos, por exemplo. Mas a abordagem aos temas é equivocada, ainda mais porque todos eles já foram muito melhor explorados em outras produções com temática similar (estou bem curioso e na expectativa de que “Ex-Machina” seja tudo que “Chappie” não é).

A próxima empreitada do diretor é retomar a série “Alien”. Só nos resta torcer para que a sorte de principiante de Blomkamp volte à tona, porque “Chappie” é um grande tiro no pé da carreira do cineasta.

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