Tom Cruise e suas missões impossíveis

Quando Tom Cruise protagonizou o primeiro “Missão: Impossível”, em 1996, ele era um dos reis de Hollywood. Aos 34 anos, o ator tinha um sucesso atrás do outro e seus filmes sempre rendiam mais de US$ 100 milhões, época em que isso era bem mais difícil do que hoje, quando produções arrecadam isso em um final de semana.

O astro, que também produziu o filme, chamou o cineasta Brian De Palma e uma lista de atores conhecidos para fazer pontas no longa adaptado de uma série de TV de sucesso dos anos 1960 (na época, os filmes adaptados de seriados ainda eram poucos  e “O Fugitivo” tinha sido um sucesso recente). O resultado foram cerca de US$ 180 milhões de bilheteria e uma franquia que esse ano ganha seu quinto episódio.

Sempre comandada por um diretor diferente, cada episódio tem uma pegada particular, mas mantém pelo menos algumas marca registradas: o sorriso de Cruise e o ator no alto de grandes prédios.

Mas, ao longo dos quase 20 anos de uma série que é bem consistente em se tratando de uma típica franquia hollywoodiana, o ator envelheceu, desgastou sua imagem e perdeu um tanto o brilho. Hoje em dia, apesar do astro ainda manter seu apelo mundial, seus filmes nem sempre são grandes sucessos nos EUA.

Depois da recepção morna a produções como “Jack Reacher”, “Oblivion” e “No Limite do Amanhã”, o ator aposta mais uma vez no personagem Ethan Hunt para fazer sucesso. Missão: Impossível- Nação Secreta, dirigido por Christopher McQuarrie, estreia no final de julho e traz uma mistura de velhos nomes da série (Ving Rhames, Simon Pegg, Jeremy Renner) com novatos, como Alec Baldwin e Rebecca Ferguson, para tentar manter a qualidade da franquia.

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Missão: Impossivel (1996) – Dirigido sem muita força por De Palma, o filme é o mais fraco da série. A história é pouco original (espião tenta provar sua inocência depois de missão mal sucedida). O longa também é o que mais envelheceu. Depois de quase 20 anos, a trama que gira em torno de um disquete é confusa e sem graça. E mesmo as cenas de ação são poucas e nem sempre funcionam: a cena final de luta, por exemplo, é mal editada e, hoje, não tem muito impacto. Apesar disso, a produção traz a melhor cena da série: aquela em que Cruise fica pendurado por uma corda em uma sala ultra secreta. No elenco, Jon Voight, Vanessa Redgrave, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Béart, Jean Reno e Emilio Estevez parecem mais coadjuvantes de luxo.

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Missão: Impossível II (2000) – Passados quatro anos da estreia do primeiro filme, Tom Cruise chamou o então melhor diretor de ação de Hollywood, John Woo, para comandar a continuação. O resultado é o filme mais exagerado (e um tanto cafona) da série, graças às câmeras lentas marcas registradas do cineasta. A história, que gira em torno de um vírus, é bem melhor resolvida do que a da produção de 1996, e o filme ganha pontos ao ter um vilão melhor definido, um dos pontos fracos do primeiro. As sequências de ação são realmente muito boas, principalmente, a cena de invasão do laboratório e a perseguição de motos no final. Com um elenco reduzido e sem tantos nomes conhecidos (Thandie Newton, Ving Rhames e uma ponta de Anthony Hopkins), o maior mérito da produção foi ter atrasado as filmagens e feito o vilão Dougray Scott perdeu o papel do Wolverine no primeiro filme dos X-Men. Graças ao filme, hoje temos no mundo o Hugh Jackman. A bilheteria final do longa foi de US$ 215 milhões só nos EUA.

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Missão: Impossível III (2006) – O terceiro filme da série ganhou uma pegada mais crua, realista e emocional com a direção de JJ Abrams, criador de séries famosas de TV (“Felicity”, “Lost”) que estreia no cinema aqui. O longa tem ainda o melhor vilão da série, Philip Seymur Hoffman em uma atuação controlada e assustadora. As cenas de ação são rápidas e violentas e o filme é o mais sangrento de todos da franquia. Talvez por isso, ou pelo desgaste de Cruise, envolvido com polêmicas em torno da cientologia, a produção não foi bem nas bilheterias e arrecadou apenas US$ 134 milhões, bem menos que os anteriores. Além de Hoffman, o elenco traz participações de Ving Rhames (único outro ator, além de Cruise, presente em todos os filmes), Billy Crudup, Maggie Q, Simon Pegg, Jonathan Rhys Meyers, Laurence Fishburne e Keri Russell.

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Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011) – Depois do pouco impacto comercial do terceiro filme, a ideia da continuação lançada em 2011 era passar a bola de Tom Cruise para Jeremy Renner. A proposta não funcionou muito bem, mas o filme arrecadou quase R$ 210 milhões nas bilheterias norte-americanas, a melhor performance de uma produção protagonizada por Cruise em muito tempo. A edição do longa, dirigido por Brad Bird (da animação “Os Incríveis”), é ágil e, novamente, as cenas de ação são o ponto alto da produção (o astro mais uma vez no topo de um arranha-céu, a perseguição na tempestade de areia e a luta final em um estacionamento são bem empolgantes). Mas o filme volta a repetir um dos erros do primeiro, a falta de um vilão carismático. O resto do elenco também é morno: tirando o alívio cômico de Simon Pegg e o carisma de Cruise, Renner e Paula Patton não decolam e Léa Seydoux é completamente desperdiçada.

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