Rick and the Flash

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Não me entendam mal. Meryl Streep é uma grande atriz, talvez a maior de todas. Mas, infelizmente, nem sempre ela usa esse talento para fazer bons filmes. Basta dar uma olhada na filmografia da atriz para ver que, mesmo com boas produções no CV, raros são os grandes filmes que ela protagoniza ( “A Escolha de Sofia”, “As Horas” ou “Adaptação”). O resultado é que, na maioria das vezes, sua atuação acaba se destacando diante de longas fracos e/ou genéricos (“Dúvida”, “Álbum de Família”, “A Dama de Ferro” e “Um Divã para Dois”, só para citar exemplos mais recentes).

Rick and the Flash: De Volta para Casa faz parte dessa ala de filmes meia-boca protagonizados pela atriz. É leve, divertido, não machuca, mas também não traz nada de novo ou realmente empolga. A culpa é menos de Meryl Streep e mais do roteiro de Diabo Cody e da direção de Jonathan Demme.

Com produções como “Juno” e “O Casamento de Rachel” na bagagem, esperava-se mais da união entre Cody e Demme, ainda mais com a possibilidade de ver Streep vivendo uma roqueira. O resultado, no entanto, é um tanto decepcionante e pouco marcante.

O roteiro de Cody é raso e nunca desenvolve a contento seus temas. Já a direção de Demme não tenta compensar essas falhas, pelo contrário, acelera a narrativa e deixa os problemas do texto ainda mais evidentes (as cenas que usam música pop para criar montagens que mostram a passagem do tempo são longas e só reforçam que o filme tem muito pouco a dizer).

Streep é Rick, ou Linda, seu nome verdadeiro que ela se recusa a usar, uma mulher de meia idade que abandonou os filhos quando crianças para seguir o sonho de se tornar uma super star. Passado o sonho, ela enfrenta agora a realidade, cantando em um bar qualquer para meia dúzia de gatos pingados e trabalhando de dia como caixa de supermercado para pagar as contas. Uma ligação do ex-marido (um Kevin Kline totalmente apagado), faz com que ela volte para casa para tentar se reconectar com a família.

A premissa não é muito original, é verdade, mas o maior problema é mesmo a preguiça no desenvolvimento da trama. Os poucos conflitos existentes são resolvidos de forma ligeira e desinteressante. Basta uma cena para estabelecê-los e uma outra para resolvê-los. Todas as personagens e situações também são mal desenvolvidas (a postura republicana da roqueira é totalmente gratuita e não cumpre nenhum papel no roteiro, por exemplo). E as cenas que poderiam salvar o filme são esporádicas e rápidas (a do jantar e o encontro da filha com o ex-marido). Apenas o final óbvio, mas emocionante, mostra o potencial desperdiçado do material.

O grande destaque do longa acaba mesmo sendo Streep. Ainda que a personagem não seja muito bem desenhada pelo roteiro, a atriz mostra sua habitual dedicação ao cantar e tocar guitarra com desenvoltura e vontade, criando uma roqueira fracassada, mas carismática. Não é muito, mas é o melhor que a produção tem a oferecer.

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