À Beira Mar

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Depois de dirigir dois filmes de guerra – o primeiro com um tom mais naturalista (“Na Terra de Amor e Ódio “) e outro com uma pegada mais épica (“Invencível”) -, Angelina Jolie escolheu um drama marital com uma abordagem mais intimista para seu terceiro trabalho como diretora. O resultado é um tanto constrangedor.

Fica claro que a intenção de Jolie com À Beira Mar era fazer belo um filme de arte dissecando os dramas que afligem um casal rico e entediado (Jolie e o marido Brad Pitt) de férias na costa da França. A diretora e atriz realmente consegue entregar uma produção visualmente bonita, com destaque para a direção de arte, figurino, fotografia e trilha sonora. Mas a bela embalagem construída pela cineasta não esconde a fraqueza narrativa e os clichês que pululam durante todo o longa.

De modo geral, Jolie parece querer provar que gente linda e rica também sofre. Com essa premissa na cabeça, a diretora escreveu e dirigiu um filme entediante sobre um casal entediado. Pitt é um escritor em crise criativa. Jolie é sua mulher amarga e blasé. Ele bebe. Ela chora. O espectador se aborrece.

Sem uma história descente, Jolie apela para o óbvio e cenas repetidas em demasia. Pitt passa o filme ajeitando os óculos escuros sempre jogados pela esposa. Já Jolie observa, diariamente, na sacada do hotel, o pescador que vai e volta no mar aberto. São cenas vazias e perdidas em uma trama que não existe.

Tudo fica ainda pior graças a um tom de mistério que a diretora atribui ao longa, tentando despertar interesse no público ao construir a narrativa em volta de um suposto “segredo” que levou o casal aquele estado de apatia e autocomiseração. Jolie também tenta dar um sopro de vida ao longa com a chegada de um casal recém-casado que se hospeda no quarto ao lado de Jolie e Pitt. Mas a beleza e juventude de Mélanie Laurent e Melvil Poupaud não salvam o filme, e a função que os dois exercem no roteiro é óbvia e descartável.

Depois de duas horas de uma produção suntuosa com Jolie envolta em camisolas de cetim e de Pitt bebendo e falando francês, “À Beira Mar” chega ao fim com mais um exemplar barato de cinema de redenção. Toda a coragem do longa está no fato de vermos Jolie e Pitt, duas grandes estrelas Hollywoodianas, jogados no chão como voyeurs observando a intimidade do casal ao lado por um buraco na parede. Muito pouco para salvar o filme do naufrágio.

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