Oscar 2016: Melhor Filme

Depois de, finalmente, ver todos os indicados a Melhor Filme, eis minha ordem de preferência. Apesar de ser um prêmio cada vez mais chato, previsível e suscetível a campanhas de marketing, esse ano traz uma lista de produções até que decente. Não existe nenhum constrangimento entre as produções indicadas: nada de coisas horrorosas como “Um Sonho Possível”, “Os Miseráveis”, “Tão Perto, Tão Longe” e “Indomável Sonhadora”;  ou mesmo longas pretensiosos e chatíssimos como “Lincoln” ou “O Jogo da Imitação”.

Já é alguma coisa. Mas ainda assim a Academia perdeu a chance de indicar filmes que mereciam muito mais do que alguns dos indicados, caso de “Carol”, “Divertidamente” e “Creed”.

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Mad Max: Estrada da Fúria – O longa mais atípico indicado ao Oscar em muito tempo. Mesmo sendo um filme de ação, gênero quase sempre ignorado (“O Fugitivo” é uma das raras exceções), e uma continuação de uma franquia nunca antes indicada para categorias importantes, essa obra-prima conseguiu o feito. A razão é bem simples: o filme é foda, uma aula de cinema e um exercício audiovisual de tensão. De quebra, o longa traz uma interpretação icônica de Charlize Theron (que merecia ter sido indicada no lugar da atuação insossa da Jennifer Lawrence) e revoluciona um gênero que estava perdido entre produções atoladas em efeitos especiais e outras cheias de cenas mal coreografadas no vício da edição hiperbólica. Polêmicas à parte sobre o longa ser ou não ser feminista, o trabalho de George Miller entrou para a história do cinema e mereceria ganhar o prêmio (mas duvido que ganhe).

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Perdido em MarteRidley Scott não dirigia um filme realmente bom desde a dobradinha “Gladiador”/ “Falcão Negro em Perigo”. Misto de ficção científica e drama de sobrevivência, o cineasta cria um espetáculo visual leve, esperançoso e cheio de energia. No centro de tudo, Matt Damon em uma interpretação engraçada e cheia de carisma que pega o público pelos braços e o acompanha em uma viagem emocionante e que abraça sem medo os clichês dos dramas edificantes. Bônus: o ótimo elenco de apoio e David Bowie tocando no espaço.

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Spotlight: Segredos Revelados – Mesmo abraçando o cinema convencional, esse filme se destaca por desviar delicadamente de todos os clichês de filmes importantes para se debruçar em uma história real sobre os bastidores do jornalismo bem feito, cada vez mais raro nos dias de hoje. Com um bom roteiro defendido por um elenco competente (exceção de um Mark Ruffalo um tanto exagerado), o longa destaca a construção de uma história jornalística sem retratar jornalistas como heróis ou mesmo apelar para a tão esperada catarse hollywoodiana.

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Ponte de Espiões – Depois do chatíssimo e pretensioso “Lincoln”, uma aula de história pesada e desinteressante, a ideia de ver Steven Spielberg dirigindo um filme baseado em história real e encenado durante o início da Guerra Fria não era lá muito animadora. Mas Spielberg ainda é Spielberg e consegue surpreender a todos com um trabalho incrivelmente leve. O diretor troca a pretensão pelo entretenimento e o resultado é uma produção envolvente com um ótimo Tom Hanks (bem melhor que metade dos atores indicados) no centro de tudo.

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Brooklyn – Esse melodrama de época tinha tudo para ser um novelão sem graça e piegas. Mas graças ao elenco simpático e o roteiro doce de Nicky Hornby, o filme ganha outra dimensão. Melancólico e envolvente, a produção é um banho de nostalgia que usa a história de uma garota para falar sobre saudade e mudanças. Os grandes olhos azuis de Saoirse Ronan emolduram o longa e conquistam o coração do público.

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O Quarto de Jack – Nas mãos de um grande diretor, esse poderia ser um filme marcante e dono de um impacto avassalador. Graças a direção manipuladora de Lenny Abrahamson, o longa fica perdido entre bons momentos e algumas opções constrangedoras (a trilha sonora e a narração em off, por exemplo). A sorte do diretor é que ele tem em mãos um ótimo elenco que sustenta a história um tanto mal desenvolvida (o personagem da criança é um tanto inverossímil). Ainda assim Brie Larson, Jacob Tremblay e Joan Allen despedançam corações em algumas cenas que valem o filme.

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O Regresso – Leornado DiCaprio deixa bem claro que quer ganhar o Oscar nesse exercício de pretensão fantasiado de experiência cinematográfica. Com uma fotografia banhada em luz natural dos deuses e uma produção impecável, Alejandro Iñárritu não consegue, no entanto, fazer com que um filme de 2h30 de DiCaprio se arrastando e grunhindo se torne um programa interessante. É lindo de ver, mas falta sutileza, espontaneidade e paixão nesse produto feito para ganhar prêmio.

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A Grande ApostaMisto de “O Dia Depois do Fim” com o documentário “Trabalho Interno”, esse filme muito metido a esperto tenta explicar o inexplicável: a eclosão da crise financeira em 2008. Com um bom elenco e uma edição roubada de algum reality show da MTV, a produção mira alto demais e se esforça para ser um filme relevante. O resultado é um longa interessante, mas que não deixa muitas marcas no caminho (só mesmo a cena de Margot Robbie na banheira bebendo champanhe sobrevive na memória).

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