Batman versus Superman: A Origem da Justiça

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Zack Snyder é um desses cineastas que Hollywood teima em chamar de visionário, mas o rapaz é também um desses diretores que só sabe trabalhar em grande escala. Perdido entre a pretensão filosófica de um Christopher Nolan e a megalomania vazia de um Michael Bay, Snyder se acha um esteta. Daí já viu! Tudo no cinema dele é hiperbólico, barulhento, cansativo e berra grandiosidade.

Dito isso, Batman versus Superman: A Origem da Justiça deve ter causado orgasmos múltiplos no rapaz. Ao reunir os dois maiores heróis da DC e ainda apresentar mais uns tantos, o diretor tem aqui a oportunidade de usar todos os seus recursos para criar o maior de todos os filmes. E ele usa para criar uma produção com grandes explosões, uma enxurrada de efeitos especiais grotescos e um elenco sem fim de heróis e grandes atores que praticamente faz fila para entrar em ação (Holly Hunter, Jeremy Irons, Laurence Fishburne e Diane Lane pouco têm a fazer).

Em tempos de superficialismo barato e de “ejaculação precoce cultural”, geeks amam filmes antes mesmo de vê-los e garantem que esse tipo de produção vire um grande evento. E “Batman versus Superman: A Origem da Justiça” é exatamente isso: um grande evento que deveria gerar urros da plateia cada vez que um novo personagem entra em cena. Mas urros não significam qualidade, apenas empolgação imediatista, então para quem prefere sutileza e inteligência à ação desenfreada e barulho, o longa é apenas mais um exercício de tortura na já torturante filmografia do diretor (“300”, “Watchmen” e “Sucker Punch”).

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Com uma profusão do uso de câmera lenta (claro que a desnecessária cena da morte dos pais de Bruce Wayne é filmada dessa forma), Snyder leva duas horas e meia para contar uma história que nunca faz muito sentido e parece totalmente forçada. Como tudo no cinema do diretor precisa ser importante, ele enfia no meio da trama questões como fanatismo, religião, mitologia, o medo do diferente e mais uma penca de assuntos mal desenvolvidos.

O tom épico seria até aceitável se o longa fosse ao menos divertido e a esperada luta entre o Batman (Ben Affleck) e o Superman (Henry Cavill) valesse a pena. Mas nem isso. A tensão entre os dois personagens nunca realmente empolga (o primeiro encontro entre os dois é zero a esquerda), e o motivo da briga entre eles não é nada convincente, mais parecendo uma disputa por popularidade entre dois adolescentes no colégio. A prova é tanta que a solução do perrengue beira o ridículo.

A inserção dos outros personagens na história acompanha a falta de lógica e os furos do roteiro. A personagem da Mulher Maravilha (Gal Gadot) passa o filme inteiro fazendo pontas sem sentido até ser jogada no meio da ação. As breves aparições do Flash, Acquaman e Cyborg também são decepcionantes. E nem os vilões salvam: Lex Luthor é transformado em um geek lunático cheio de tiques por um Jesse Eisenberg que tenta a todo custo interpretar o personagem da mesma forma visceral que o Coringa de Heather Ledger; e o monstro Apocalipse é apenas grotesco.

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Para completar, o filme ainda é visualmente feio. Tirando uma cena com o Superman aqui, outra ali, “Batman versus Superman” é envolto em uma fotografia escura e tem uma edição confusa (algumas cenas de ação são incompreensíveis) que só acentua a falta de sutileza da produção, ainda mais evidente graças à trilha sonora pomposa.

Para piorar o que já é ruim, o filme de Snyder ainda “rouba” referências de outras produções dos heróis. A cena de Ben Affleck conversando com Gal Gadot na casa de Lex Luthor remete à conversa entre Michael Keaton e Michelle Pfeiffer em “Batman. O Retorno”; a imagem do morcegão em cima de um guindaste é chupada da trilogia de Nolan; e Henry Cavill salvando Amy Adams de uma queda simula Christopher Reeve e Margot Kidder em algum capítulo de “Superman”. Ou seja, falta originalidade e talento para Snyder conduzir um filme que merecia ser bem mais divertido e leve.

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