Girls

“Girls” estreou em 2012 e logo foi taxada de versão hipster de “Sex and The City”. As únicas semelhanças entre as duas séries, no entanto, eram teóricas, como o fato de ambas serem protagonizadas por quatro amigas vivendo em Nova York e produzidas pela HBO. Na prática, saiam as quatro amigas bem sucedidas que circulavam por Manhattan para dar lugar a quatro amigas bem jovens e perdidas na vida que eram a cara do Brooklin.

A série foi lançada como o retrato perfeito da geração millenium, egoísta, auto-centrada e sem foco. E no início, “Girls” era bem isso mesmo. Com uma narrativa bastante episódica, acompanhamos sem muita lógica a rotina de Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna, quatro meninas se transformando em mulheres bem diferentes, mas unidas pela amizade.

Com um ritmo mais lento em que nada parecia acontecer e amparada por uma ótima trilha sonora, a série começou imatura como suas personagens. As tramas não se fechavam e o foco principal da produção era mesmo o desenvolvimento das quatro personagens, todas extremamente chatas, carentes e clamando por atenção.

Mas, apesar dos pesares e das limitações narrativas, a série criada por Lena Dunham (a própria Hannah) foi amadurecendo a partir da terceira temporada. Já acostumados às personagens e com tramas mais amarradas e já estabelecidas, a série foi ganhando ares mais melancólicas e menos histriônicos, ainda que as personagens continuassem imaturas e perdidas.

Essa mudança de rumo também pode ser percebida na direção e roteiro da série, com alguns episódios que se desprendiam totalmente da narrativa já esporádica da produção para focar unicamente no desenvolvimento de um personagem (como os com participação especial de Patrick Wilson e Matthew Rhys, por exemplo).

O resultado dessas mudanças foi uma série com uma identidade cada vez mais própria e aberta para discutir de forma bastante natural questões como nudez, traição, desilusões amorosas, crises existenciais e profissionais, gravidez, distanciamento e outras tantas presentes na vida de todos nós. O cotidiano serviu então de material para grandes momentos dramáticos e narrativos (o final do penúltimo episódio é uma carta de amor e de despedida audiovisual às atrizes/personagens, por exemplo).

Ao deixar de lado a pretensão de ser “a voz de uma geração” e permitir que “Girls” crescesse e se desprendesse (um pouco só) de sua imagem, Lena Dunham abraçou o naturalismo como forma de expressão, e a série chegou ao fim do jeito que começou: de forma aberta e sem respostas definitivas.

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