Where is Kyra?

Michelle Pfeiffer sempre foi uma atriz mainstream. Sua filmografia está recheada de grandes produções realizadas por diretores renomados e/ou povoados por estrelas hollywoodianas. “Where is Kyra?” é assim uma estreia para a atriz, a sua primeira incursão pelo cinema independente.

O longa ainda traz Pfeiffer para o centro das câmeras, marcando o seu primeiro papel como protagonista em quase dez anos (a última vez que o nome da atriz veio em primeiro lugar nos créditos foi em “Chéri”, lançado em 2009).

“Where is Kyra?” é então um presente aos fãs da atriz. No filme, ela interpreta uma mulher de meia idade recém-divorciada, sem emprego e vivendo às custas da mãe. O ritmo é lento, as tomadas são longas e distantes e não há uma trama até que a mãe de Kyra morre, e ela se vê desesperada e sem rumo.

Sem rodeios e quase sem trilha sonora, o diretor Andrew Dosunmu filma a rotina entediante da personagem cuidando da mãe doente e indo atrás de emprego. Por meio desse fiapo de roteiro, o cineasta constrói um filme duro, difícil e desesperançoso (não é de se estranhar que o longa tenha demorado mais de um ano até ter um lançamento mínimo nos cinemas dos EUA; aqui no Brasil, provavelmente nunca verá as luzes de uma tela grande).

Kyra não tem nenhuma perspectiva de futuro, e o longa a joga nas sombras. Sem muitas repostas ou mesmo desenvolvimento do roteiro, resta à atriz tentar responder algumas perguntas sobre Kyra por meio de uma atuação crua e devastadora que em nada lembra a Michelle Pfeiffer associada à beleza e eleita várias vezes o rosto mais bonito do mundo.

Aos 60 anos, a atriz se despe da vaidade e tenta revelar o que se passa na mente de Kyra, uma mulher quebrada e abandonada pela própria vida. O resultado desse filme-expiação nem de longe deve agradar a todos. O tom que o diretor emprega à produção é depressivo e o desenvolvimento da trama é óbvio e trágico. A fotografia envolta em sombras e reflexos e a edição lentíssima ainda transformam pouco mais de 90 minutos em um exercício de paciência.

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Mas Pfeiffer está lá e segura a atenção do espectador. Ainda que o diretor se divida entre filmar a atriz à distância, escondida no escuro ou muitas vezes de costas, alguns closes reveladores conseguem transformar Kyra em uma pessoa e mostrar que ela está lá, apesar de invisível perante a sociedade. Como o cinema sentiu falta de Michelle Pfeiffer!

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