On the Rocks

Sofia Coppola está de volta com o seu filme mais leve e divertido. “On the Rocks” é sobre uma mulher com quase 40 anos que acredita que o marido está tendo um caso com uma colega de trabalho. O pai dela acaba se envolvendo na história, e os dois saem em uma investigação para descobrir o caso

A trama saída de uma comédia de erros, às vezes, lembra uma obra de Woody Allen, com o pai e a filha passeando pela alta classe de Nova York, com a cidade servindo de cenário para essa investigação que termina de forma tão simples quanto começou. Mas Coppola está mais interessada na dinâmica entre a filha e o pai do que propriamente com o pano de fundo que envolve o mundo de compra de arte clássica, essa escritora que sofre um bloqueio criativo por causa do marido que parece não ter mais tempo para ela ou mesmo a dúvida sobre a traição.

A partir dessa abordagem da diretora, “On the Rocks” é todo de Rashida Jones e de Bill Murray, que estabelecem uma boa química de filha e pai. Ela realmente parece perdida entre os afazeres domésticos, as duas filhas, o marido distante e sempre ocupado e um livro que não consegue escrever. Já Murray está uma delícia como o pai fanfarrão e charmoso, ainda que com uma visão um tanto machista e apegada ao passado do que é uma relação entre homem e mulher. São os momentos entre essas duas personagens amáveis e conflitantes que movem o novo trabalho de Sofia Coppola. E é nessa relação cheia de rachaduras que o longa se concentra.

Coppola, conhecida por sua filmografia de personagens femininas ricas e perdidas, mostra em “On The Rocks” um amadurecimento, trocando as meninas em crise por uma adulta já com a vida estabelecida e com problemas tão mundanos quanto levar as filhas para o balé, escutar os problemas da amiga na fila da escola e descobrir uma nécessaire feminina na mala do marido que só viaja.

A cineasta também parece mais madura em relação a suas escolhas estéticas, deixando de lado as firulas visuais de “As Virgens Suicidas”, a melancolia contemplativa de “Encontros & Desencontros” e “Maria Antonieta”, o vazio narrativo de “Em Lugar Qualquer”, as músicas pop intrusivas de “The Bling Ring” e o rebuscamento de “O Estranho que Nós Amamos”. O enfoque aqui é mais direto e ligeiro, mas com direito a música do Phoenix no final. Sofia Coppola amadureceu, mas ainda continua a mesma.

Leia também:
Um Lugar Qualquer
Bling Ring – A Gangue de Hollywood

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