Indiana Jones e a Relíquia do Destino

Um dos grandes astros do final do século passado, a carreira recente de Harrison Ford no cinema virou um grande déjà vu com o astro reprisando e se despedindo de seus papéis mais famosos. Primeiro foi Han Solo da franquia Star Wars. Em seguida, Deckard do cult “Blade Runner”. E agora é a vez do indefectível Indiana Jones no novo “Indiana Jones e a Relíquia do Destino”, lançado 42 anos depois do clássico “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” e 15 do genérico “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”.

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Ao contrário das despedidas anteriores, no entanto, o astro não está ali para passar o bastão para uma nova geração de atores que dará continuidade às tramas, mas sim é a peça central de um longa que parece existir basicamente para lhe prestar uma homenagem. A ótima nova personagem vivida por Phoebe Waller-Bridge (como afilhada do arqueólogo) até ganha bastante espaço e relevância na tela, mas é a presença de Harrison Ford que passa por cima das falhas de uma produção que mostra o que há de melhor e pior na indústria cinematográfica.

O filme começa um com longo prelúdio em que o público é surpreendido por um Ford rejuvenescido graças aos avanços da tecnologia. Além de explorar as ilusões do cinema, a sequência funciona também para apresentar o vilão da trama, o cientista nazista interpretado pelo sempre competente Mads Mikkelsen. Mas começa aqui um dos problemas de “Indiana Jones e a Relíquia do Destino” com todo esse prelúdio, apesar de empolgante, sendo uma daquelas cenas noturnas que Hollywood insiste em enfiar nas narrativas, deixando o público literalmente no escuro apenas fingindo que está vendo o que acontece.

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Não demora muito para o longa dar um salto temporal para o final dos anos 60, com um Indiana Jones já idoso prestes a se aposentar da universidade em que leciona. Entra aí Phoebe Waller-Bridge, a filha de um antigo amigo de Jones que aparece de supetão em sua vida para roubar um artefato do passado, o mesmo procurado pelo cientista nazista. A nova aventura vira então um divertido jogo de gato e rato que mimetiza muito bem a estrutura narrativa das produções anteriores de Indiana Jones, com o arqueólogo conseguindo os artefatos e logo os perdendo para os bandidos.

Com exceção de algumas forçadas de barra no roteiro, algo relativamente comum em filmes de ação, “Indiana Jones e a Relíquia do Destino” segue também muito bem a cartilha criada por Steven Spielberg (que pela primeira vez não assina a direção de um longa do personagem; James Mangold, de “Logan” e “Ford e Ferrari” assume a tarefa).

A produção deixa de lado, claro, o tom mambembe, especialmente, dos filmes dos anos 80 e foca em uma encenação e um ritmo bem mais palatáveis ao público de hoje (algo que “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” também já tinha feito). A mudança de tom pode desagradar aos fãs mais radicais, mas a verdade é que “Indiana Jones e a Relíquia do Destino” não só respeita como mantém a essência do personagem, dando ao arqueólogo um estofo dramático inédito até então em sua trajetória.

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Com duas horas e meia de duração que passam em um piscar de olhos e com um ritmo que vai empilhando e atropelando seus defeitos, o filme é divertido e segue também a tendência hollywoodiana atual de apelar para a nostalgia. Mas a produção faz isso com propriedade e realmente acenando para a merecida despedida de um dos maiores personagens já criados pelo cinemão. Vida longa a Indiana Jones, mas é hora de dizer “adeus”.

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