Entre Estranhos

Existem histórias desinteressantes ou apenas a forma como elas são contadas que as tornam assim? Ao longo dos dez episódios de “Entre Estranhos”, essa pergunta não me saía da cabeça. Levemente inspirada na história real de um homem que foi absolvido de um crime ao ser diagnosticado com transtorno de múltipla personalidade, a minissérie tinha tudo para ser interessante, mas o modo como a trama é apresentada nunca engata.

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Seguindo a tendência atual de narrativas que vão e voltam no tempo, um dos maiores problemas da minissérie é andar em círculos, esticando a trama ao máximo para lá no sexto/sétimo episódio revelar seu primeiro plot twist. Mas até chegar lá, o ritmo lento e a falta de foco da história tiram a paciência do espectador, que fica cansado em acompanhar uma história que parece que não vai a lugar algum.

Tom Holland interpreta Danny Sullivan, um garoto tímido que sofre abusos do padrasto e bullying na escola. Ele decide fugir de casa e se cerca de pessoas que, de certa forma, o entendem, em especial a desequilibrada Ariana. É ela, inclusive, que convence Danny a se vingar do abusador dela. Ele termina preso depois de um tiroteiro em plena rua de uma grande cidade. Mas nada disso realmente é o que parece ser.

É a partir do incidente e da prisão de Danny que “Entre Estranhos” entra em um espiral de flashbacks costurados pelas conversas que ele tem com a psicóloga vivida por Amanda Seyfried (de “The Dropout“). É até compreensível que a minissérie tome seu tempo nessas longas conversas, afinal a psicóloga precisa de tempo e insumos para “matar a charada” em relação ao garoto. Mas o roteiro e a direção nada ajudam para que a trama cause algum impacto na primeira metade da minissérie, até porque tudo é contado de forma um tanto confusa.

A partir da primeira grande revelação, “Entre Estranhos” ganha força e um sopro de energia, com o público finalmente conseguindo estabelecer alguma empatia com o personagem de Holland. Mas é preciso paciência para chegar até lá. Ainda assim, a minissérie segue cometendo pecados, como a saída dramatúrgica um tanto teatral para representar os problemas mentais de Danny.

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Além dos problemas narrativos, a minissérie também decepciona no quesito atuação. Tom Holland até se esforça, mas ele é incapaz de abarcar a complexidade do personagem. A caracterização que praticamente o transforma em uma cópia mais jovem do Coringa de Joaquin Phoenix também não ajuda. Enquanto o resto do elenco pouco tem a fazer, quem melhor se sai é Amanda Seyfried, a única que consegue construir um personagem realmente interessante, guiando o público no meio dessa confusão narrativa.

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