
“The Curse” é uma das coisas mais bizarras produzidas recentemente pela TV. Criada por Nathan Fielder, que também escreve, dirige e protagoniza a série, e Benny Safdie (diretor de “Bom Comportamento” e “Joias Brutas”), a série é um daqueles exemplares que transforma o comportamento humano em um show de horror, ainda mais potencializado por uma trilha sonora cortante bem pontual e uma câmera que parece observar os personagens ao longe, quase como se julgando suas ações.
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Ao longo de 10 episódios, conhecemos a rotina do casal Whitney (Emma Stone) e Asher (o próprio Fielder). Eles são os protagonistas de um novo reality show de TV que busca mostrar ao público o conceito de uma casa autossustentável criada por Whitney em meio a uma comunidade indígena no sul dos Estados Unidos. É a partir das gravações do programa e da relação do casal que a série se desenvolve, mostrando a verdadeira face de dois brancos abastados que vestem como ninguém a carapuça do “white savior” (brancos metidos que acham que podem salvar minorias).

Ainda que o casal traga um discurso progressista na ponta da língua, a série deixa claro que eles não são imunes à ganância, inveja e todo tipo de preconceito em relação à comunidade local, com Whitney e Asher mal disfarçando o incômodo por estarem ali. Logo no primeiro episódio, Asher, graças a uma atitude mesquinha, sofre uma maldição de uma garota local, desencadeando uma crise entre o casal e o produtor/diretor do programa de TV, o suposto amigo de Asher, Dougie (o criador da série Benny Safdie).
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Menos preocupados com o desenvolvimento da narrativa (as tramas em si vão sendo abandonadas ao longo da série, caso do roubo das calças jeans, do problema no cassino e mesma a própria maldição que catalisa a narrativa), Fielder e Safdie parecem usar “The Curse” apenas como um pretexto para satirizar não apenas a “cultura white savior”, mas também questões como consumo, arte, amizade e relacionamentos de uma geração mimada e que quer mudar o mundo, mas só até a página dois.

Outro tema que a série levanta é o atual estado de exposição que nossas vidas ganharam, não apenas com a cultura dos reality shows, mas a própria explosão das redes sociais. Os criadores da série brincam a todo instante, por exemplo, com a linha tênue entre verdade e armação, com os protagonistas inventando situações, algumas à beira do ridículo, para ganharem um ar mais autêntico perante o público.
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Com uma direção que potencializa toda a estranheza da série e ótimos atores que compram o absurdo da premissa (Emma Stone se destaca porque sua personagem, no final das contas, é a mais hipócrita de todos), “The Curse” (produzida pela A24, a mesma de “Treta”, da Netflix, com quem compartilha similaridades) não é para todos os públicos, em especial graças a um final belíssimo que abraça o “What The Fuck” nada explica. Mas a série é também uma das mais originais lançadas nos últimos anos. Inicialmente lançada como uma série, ainda não se sabe se ela terá continuação ou se transformará em uma minissérie (o mesmo destino de “Treta”). Disponível na Paramount Plus.
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