Ripley

Esqueça a versão ensolarada e homoerótica da adaptação de obra de Patricia Highsmith. No ano em que “O Talentoso Ripley” completa 25 anos, a trama lindamente filmada por Anthony Minghella (“O Paciente Inglês”) ganha uma abordagem bem mais sombria e estilizada na minissérie “Ripley”, da Netflix, escrita e dirigida por Steven Zaillian (roteirista de “A Lista de Schindler”).

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Em comum, além do protagonista que vê no pedido de um pai desesperado a oportunidade para tirar vantagem e se dar bem, o filme e a minissérie têm uma encenação suntuosa e elegante, ainda que elas sigam caminhos distintos. Enquanto “O Talentoso Ripley” aposta no glamour e nas cores de uma bela Itália dos anos 50, “Ripley” segue o caminho do noir, com uma fotografia estonteante em preto & branco, mas uma encenação mais fria e distante, com cenas que lembram o trabalho meticuloso e detalhista de um David Fincher, por exemplo.

Com diferenças significativas na trama, a versão de Zaillian deixa de lado a energia vibrante que existia entre os personagens, principalmente porque seu Ripley é interpretado por um Andrew Scott (“Fleabag” e “Todos Nós Desconhecidos”) que transforma a inadequação de Tom Ripley quase em psicopatia. Se em “O Talentoto RipleyMatt Damon parecia apaixonado por Jude Law, na minissérie, o tom soturno de Scott transforma admiração em inveja. O ator ainda parece velho demais para o papel (Scott tem 47 anos contra um Damon de 29 na época do filme), tirando um pouco da credibilidade da trama.

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Falta carisma também ao resto do elenco, de Johnny Flynn (que vive um Dickie bem mais sério e menos bon vivant do que a interpretação esfuziante de Jude Law) a Dakota Fanning (bem mais determinada e menos classuda do que a frágil Marge de Gwyneth Paltrow). A minissérie ainda elimina a personagem Meredith Longue (vivida no longa por uma ótima Cate Blanchett), que tinha um papel fundamental no filme de 1999.

O resultado pode ser frustrante para os fãs de “O Talentoso Ripley” (que ganhou novos fãs no final de 2023 graças ao sucesso de “Saltburn”, filme com quem tem várias semelhanças), em especial porque a minissérie praticamente deixa de lado a sexualidade do protagonista, um dos aspectos mais interessante do filme, para focar na parte criminal e na forma como Ripley foge de seus crimes.

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Resta então a beleza de “Ripley”. A fotografia em preto & branco é estonteante, transformando cada quadro em uma pintura. E ainda que ela elimine as cores da Itália dos anos 50, ela não tira a força de uma direção de arte que explora com louvor os cenários que ambientam a história. E é interessante também como o roteiro mostra a obsessão do protagonista pelas obras de Caravaggio, criando um paralelo entre o artista e o farsante. Mas se a minissérie grita seriedade, falta, no entanto, o vigor narrativo do longa de 1999.

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