
Nem toda história precisa ser contada. Nem todo universo precisa ser expandido. Ainda que isso pareça lógico, Hollywood segue cometendo o mesmo erro de explorar à exaustão certas tramas e personagens em nome do dinheiro. “Furiosa: Uma Saga Mad Max”, produção que conta a origem da personagem vivida por Charlize Theron em “Mad Max: Estrada da Fúria”, é um exemplo.
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Ainda que George Miller tenha acertado em cheio na continuação temporã de sua trilogia lá dos anos 1980, o cineasta não repete o mesmo sucesso com “Furiosa”. Se ele levou cerca de 30 anos para repaginar a franquia “Mad Max”, dando um banho de estética que chamou a atenção em “Mad Max: Estrada da Fúria”, lançado em 2015, nove anos depois ele não repete a façanha com o prequel sobre a protagonista do longa indicado a 10 Oscar (e ganhador de seis prêmios).
Não que “Furiosa” seja um filme ruim. O longa é dirigido com competência por Miller, que bebe na fonte da produção anterior para narrar a trajetória de sua protagonista. Mas não é só Charlize Theron que faz falta ao filme (a personagem é vivida por Anya-Taylor Joy). Ainda que capriche na produção, George Miller parece estar no piloto automático, entregando uma mera cópia do longa de 2015.

A estética segue as mesmas cores e tons, mas “Furiosa” carece da mesma beleza e energia de “Mad Max: Estrada da Fúria”. Falta impacto e imagens realmente impressionantes em um filme que parece quase um pastiche do anterior. Falta a visão afetada e a condução quase operística de Miller, que transformava uma cacofonia de imagens e sons em pura adrenalina.
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Outra questão é que, narrativamente, a trama também demora a engrenar. O longa já começa com Furiosa sendo capturada e depois mantida em cativeiro pelo vilão de Chris Hemsworth (que parece tentar mimetizar a veia cônica de Brad Pitt). A partir daí o roteiro destrincha o universo de “Estrada da Fúria” deixando Furiosa quase como uma coadjuvante do próprio filme, enquanto ela apenas testemunha a ação se desenrolando em meio a desavenças políticas, religiosas e “econômicas”.
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Anya-Taylor Joy, por exemplo, demora a aparecer em cena, deixando o filme nas mãos de outros personagens. Quando a atriz entra finalmente em cena, o longa ganha em força (a relação dela com o personagem de Tom Burke, por exemplo, é uma das melhores coisas da produção), mas ainda assim “Furiosa” nunca realmente empolga, mesmo com boas cenas de ação costurando a trama.
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Longe do impacto, inclusive cultural, de “Estrada da Fúria”, que superou as expectativas e conquistou a crítica e o público, “Furiosa” é um bom passatempo, mas sem o vigor de seu antecessor. Não por acaso, a produção segue a tendência de decepção nas bilheterias dos grandes filmes de 2024. Furiosa, a personagem, merecia um destino melhor.
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