Mad Max: Estrada da Fúria

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Mad Max: Estrada da Fúria tinha tudo para dar errado. A trilogia original envelheceu mal e não deixou muitas marcas no imaginário cinematográfico coletivo. Trinta anos se passaram entre o último capítulo e esse novo episódio. O markerting do novo filme nunca deixou claro se essa quarta produção era uma sequência direta, um reboot, spin off ou mesmo um remake. E George Miller não dirigia um filme com atores de carne e osso desde o drama “O Óleo de Lorenzo” (não vamos contar “Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade, por favor), de 1992.

Mas, mesmo com todos os fatores jogando contra, Miller conseguiu. “Mad Max: Estrada de Fúria” é uma porrada, uma longa sequência de ação quase sem respiros que eleva à última potência a premissa esquizofrênica da trilogia original.

O filme é um desses raros exemplos em que tudo se encaixa. Da produção caprichadíssima à edição com o pé no acelerador e uma fotografia em 3D de derrubar queixos, o longa pega os elementos que deram certo nos três filmes anteriores e os maximiza até transformar esse aqui em uma ópera de rock (alguém me explica aquela guitarra que cospe fogo?!?) bem no meio do deserto.

Em “Mad Max: Estrada da Fúria”, o vermelho e o laranja são mais vermelho e laranja do que nunca em um filme que joga no mesmo saco questões como poder, dominação, religião, fanatismo e esperança. Esbanjando inspiração e vigor, Miller conduz com maestria uma trama potente, violenta e feminista envolta na melhor embalagem que a Hollywood contemporânea pode oferecer.

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Com uma introdução rápida que (re)apresenta Max ao público (Tom Hardy assumindo o papel que revelou os olhos azuis de Mel Gibon para o mundo), o cineasta estabelece o tom e ambientação do longa e não deixa mais tempo para a plateia respirar. De uma continuação temporã, o filme logo se transforma em uma grande e linda sequência de perseguição em que corpos voam e carros explodem sem cerimônia.

Como se não bastasse o visual impressionante, Miller respeita a trilogia original ao colocar Max no meio da trama quase que por acaso. Ele, mais uma vez, é um herói involuntário atirado no meio da ação sem muita escolha. Mas, nem de longe, é o protagonista da história.

O cineasta subverte ainda toda a cartilha machista do cinema de ação para centrar a trama em torno de mulheres cansadas de sofrer abuso (uma poderosa Charlize Theron no comando de tudo). O resultado é um dos blockbusters mais transgressores de Hollywood, no qual mulheres são superiores aos homens e oprimidos são bem mais espertos que opressores.

Esqueça a fileira de filmes de super-heróis dos quadrinhos despejados anualmente na cabeça do público. “Mad Max: Estrada da Fúria” é muito melhor do que eles. É um desses (poucos) blockbusters inteligentes, relevantes e que viram referência. Quantas produções milionárias assim a gente assiste por ano atualmente?

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