
A terceira temporada de “The White Lotus” é a mais fraca da antologia criada por Mike White (da ótima “Enlightened”) que leva gente rica para resorts ao redor do mundo a cada nova trama. Não que a temporada seja ruim ou difícil de acompanhar, mas depois de satirizar as diferenças sociais e o politicamente correto, o programa ganha mais episódios (são 8 contra 6 e 7 das anteriores), tira o pé do acelerador e adota uma abordagem mais espiritual.
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A nova pegada faz sentido, de certa forma, na medida em que o resort da vez está na Tailândia em meio aos seus templos budistas. Saem então os conflitos de classes entre os turistas e os empregados (bem mais presente na primeira temporada) ou a ganância (mote para a segunda) e entram as dinâmicas familiares e de amizade (ainda que baseadas em dinheiro): três amigas que não se veem há anos; uma família de ricos mimados cujo pai está prestes a ser preso e ficar pobre; e um casal formado por um homem mais velho traumatizado e uma jovem com uma visão de mundo mais positiva.
É a partir das relações entre esses núcleos bem distintos (e que pouco interagem entre si) que a terceira temporada de “The White Lotus” desenvolve sua trama explorando o não dito. O pai de família esconde da mulher e dos filhos sua situação. O homem mais velho guarda um segredo da namorada e reluta em se abrir para ela. Enquanto as três amigas escondem a hipocrisia e a falsidade que alimenta a amizade, todas sempre destilando veneno uma contra a outra quando alguma delas não está presente.
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Com bons atores como Jason Isaacs, Parker Posey, Carrie Coon, Michelle Monaghan, Leslie Bibb, Walton Goggins, Aimee Lou Wood e vários outros, fica fácil acompanhar as peripécias criadas por Mike White, ainda mais em meio a situações absurdas e diálogos deliciosos. Mas a sensação é que, mesmo tentando um novo ritmo menos nervoso, a série parece presa demais à própria fórmula e passado.
A volta de Belinda (personagem da primeira temporada) e seu encontro com o marido da icônica Tanya (Jennifer Coolidge) costura a terceira temporada com as anteriores, por exemplo. Mas a trama é sem graça e parece só querer manter presente a aura da personagem mais famosa da série. A trama envolvendo a família de Jason Isaacs se perde com o pai tentando manter a família alheia ao seu crime por oito episódios, deixando o público a espera de um conflito que nunca acontece.

Conflitos que não acontecem, inclusive, parecem ser o grande mote dessa temporada. A narrativa prepara o espectador o tempo todo para grandes explosões e discussões que nunca acontecem ou que acontecem e decepcionam. A briga entre as três amigas deixa a desejar. O segredo do homem mais velho que namora uma novinha é quase bobo, ainda que renda uma ótima participação de Sam Rockwell (no melhor monólogo da temporada) e esteja ligado ao grande mistério da trama. E os empregados pouco registram, com algumas subtramas que não vão a lugar algum (como a do assalto).
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Fica então a bela ambientação já característica da série e os bons momentos cortesia do elenco inspirado: Carrie Coon e seu monólogo devastador no episódio final; Parker Posey sempre pronta a falar os maiores absurdos (claramente tentando substituir Jennifer Coolidge); e mesmo o ar de incesto que roda os irmãos interpretados por Patrick Schwarzenegger, Sarah Catherine Hook e Sam Nivola. Mas é muito pouco, principalmente pela expectativa gerada graças as duas ótimas temporadas anteriores.
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