Jurassic World. O Mundo dos Dinossauros

Jurassic WorldQuatorze anos em se tratando de Hollywood é muito tempo. Essa é a quantidade de anos que separa o fraquinho “Jurassic Park III” de sua continuação/reboot que acabou de estrear destruindo todas as bilheterias ao redor do mundo (mais de US$ 500 milhões em apenas um final de semana).

Juntamente com Mad Max:Fury Road, Jurassic World. O Mundo dos Dinossauros prova que o cinema e o público não se importam muito com continuações temporãs, mesmo que elas não tenham algo novo a oferecer, caso dessa aqui.

De modo geral, ao contrário do desértico e inovador filme de George Miller, “Jurassic World” tem muito pouco a acrescentar à trilogia original dos dinossauros criador por Steven Spielberg. O filme começa justamente criticando o atual estado de exacerbação dos blockbusters, cada vez maiores e mais longos e barulhentos, com mais efeitos especiais e senso de espetáculo. Mas essa crítica e autoconsciência do longa-metragem logo caem por terra e a produção se torna exatamente aquilo que ela mesmo critica.

Essa tentativa de transformar o filme em algo a mais do que mero espetáculo não encontra respaldo no roteiro e no próprio longa. O reboot/continuação segue exatamente a mesma cartilha já explorada pelos anteriores. É um tanto frustrante ver novamente a mesma lição de moral que diz que “o homem não deve mexer com a natureza” (presentes no primeiro e no segundo) ou que “tragédias aproximam famílias separadas” (o cerne do terceiro).

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Dentro desse esquema familiar em que a própria estrutura narrativa é repetida, o elenco não tem muito o que fazer a não ser correr de um lado para o outro, mas, pelo menos, as crianças são menos chatas do que as dos filmes anteriores. E o longa ganha muito com o carisma de Chris Pratt, que não esconde que está se divertindo de montão, quase tanto quanto o público.

E o filme é bem divertido. Se, em termos de ambição narrativa, o longa morre na praia, enquanto entretenimento ele não deixa nada a desejar. O diretor independente Colin Trevorrow (dono de um único longa, “Sem Segurança Nenhuma”, bem mais modesto que seu primeiro bockbuster) acerta em cheio ao construir uma narrativa tensa e com ótimas cenas de ação.

Sim, o filme é ligeiro e tem pouco tempo para apresentação de personagens ou situar a trama, não trazendo a mesma magia e deslumbramento proporcionados pelo primeiro. Mas, depois de três filmes sobre dinossauros e mais um penca de produções que exploraram os mais diversos tipos de mundo/universo, é realmente cada vez mais difícil impressionar a plateia atual.

O resultado aqui é um longa divertidíssimo e com efeitos realmente incríveis, mas que jamais vai alcançar a importância histórica e a aura do filme lançado em 1993. O problema, no entanto, é menos do filme e mais de uma sociedade cada vez mais crente em uma noção de nostalgia que atinge a todos os públicos, independente de idade, martelando na nossa cabeça de que o que foi feito ontem sempre é melhor do que é produzido hoje.

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