Pânico (2022)

Ninguém pediu um novo filme da série “Pânico”, ainda mais uma produção que não fosse comandada pelo mestre Wes Craven, diretor dos originais falecido em 2015. Mas, perdido entre um reboot e uma continuação, o novo longa consegue, para o bem e para o mal, manter a aura da franquia (que, no conjunto, consegue ser bem regular, ainda que o melhor permaneça o primeiro filme lançado em 1996).

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Dirigido pela dupla Matt Bettinelli e OlpinTyler Gillett, do badalado “Casamento Sangrento”, o novo “Pânico” segue várias das tradições da franquia e é uma grande homenagem aos filmes anteriores, pagando reverência ao universo criado por Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson. Das mortes elaboradas aos comentários sociais, tudo está lá, assim como o constante uso de metalinguagem fazendo citações ao cinema de terror (aqui, o longa centra o foco no chamado “elevated horror movie”, filmes que, na teoria, “elevam” o cinema de horror ao focar na dramaticidade, não apenas nas mortes, caso de produções como “Corra!”, “Bababook”, “Hereditário”, “A Bruxa”, “Corrente do Mal” e por aí vai).

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A partir dessa premissa, o longa faz uma reflexão (superficial, claro) sobre internet, fóruns de discussão, fanfic e a obsessão dos fãs pelos seus objetos de adoração, seguindo muito bem a fórmula criada por Craven e Williamson de dar aos filmes um verniz de ironia, piscando para o espectador a cada nova referência e citação. A estratégia funciona, principalmente porque o longa dá o palco para novos protagonistas ao mesmo tempo em que torna o trio de sobreviventes originais quase coadjuvantes da trama, abrindo espaço para uma certa melancolia inexistente nas produções anteriores.

Enquanto as rugas e os rostos cansados de Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette deixam claro que Sidney Prescott, Gale Weathers e Dewey Riley precisam de um descanso, o longa introduz novos personagens (mas, claro, sempre conectados aos assassinatos do primeiro filme), dando sobrevida à série na forma de possíveis spin-offs (o próprio fato do título não trazer uma numeração indica a pretensão de uma repaginada na franquia).

Mas, ainda que “Pânico” tome rumos corajosos e apresente novidades (pela primeira vez, os assassinatos não estão diretamente relacionados a Sidney Prescott; e o filme é bem mais violento do que os anteriores, deixando um pouco de lado o humor e o caráter pastelão das cenas de morte), a continução/reboot/spin-off não se afasta muito da fórmula da franquia, sendo, na verdade, um mais do mesmo disfarçado com novos rostos no centro da trama. 

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Não que isso seja um problema para os fãs da série, já que o filme parece um muito bem feito fan service que faz uso da nostalgia para se manter pertinente, seguindo os passos das próprias produções que ironiza. Entre querer ser um filme mais inteligente do que realmente é, graças ao roteiro esperto cheio de autorefências, e uma grande bobagem regada a sangue e gritos, “Pânico” acaba agrandando tanto aos fãs noventistas que viram o original na época e estão aqui pelo saudosismo quanto às novas gerações que se reconhecem como os protagonistas da série. É um feito em tanto, principalmente para a quarta continuação de uma franquia de terror com 25 anos.

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