Jim Carrey: 60 anos em 6 filmes

Jim Carrey tinha uma carreira relativamente bem-sucedida na TV (graças à série de esquetes “In Living Color”) quando, em 1994, o comediante estourou nos cinemas com três sucessos: “Ace Ventura”, “Debi & Lóide” e “O Máskara”. Um ano depois, ele já era coadjuvante de luxo em um dos maiores blockbusters de 1995, mais um sucesso, “Batman Eternamente”

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Em virtude de sua cara quase elástica e de seu humor físico, mesmo sendo um bom ator, demorou um pouco para Hollywood levar Carrey a sério. O primeiro vislumbre de que Jim Carrey era mais do que um comediante veio com o elogiado “O Show de Truman”, um dos melhores filmes dos anos 1990 que critica o universo ainda relativamente novo dos reality shows. Um ano depois e Carrey provou outra vez sua versatilidade com a biografia de outro comediante, Andy Kaufman, em “O Mundo de Andy”.

Depois de ganhar o Globo de Ouro pelos dois papéis (e ser ignorado pelo Oscar por ambos), Jim Carrey continuou sua carreira de sucesso se revezando entre produções de comédias voltadas ao seu público cativo (como “Eu, Eu Mesmo & Irene” ou “Todo Poderoso”) e outros longas que o desafiavam como ator (caso do drama “Cine Majestic” e do romance “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”; em que, mais uma vez, foi ignorado pelo Oscar).

Com uma trajetória de mais de 40 anos, sendo os últimos trinta recheados de sucessos de bilheteria e mesmo de crítica, Jim Carrey completa 60 anos neste dia 17 de janeiro com uma carreira eclética e cheia de altos e baixos, tendo ele feito de tudo, das habituais comédias a filmes de terror e suspense (“Número 23” e “Crime Obscuros”), até pequenas participações em produções mais alternativas (“Amores Canibais”). 

Seu nome pode não ser mais o chamariz que foi na década de 1990 e começo dos anos 2000, mas Carrey já provou mais do que o suficiente que é bom ator, e a ótima série “Kidding” (que durou duas temporadas) mostra que ele ainda tem muito a nos oferecer e merece mais do que papéis em filmes bobos como “Sonic”

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Eis meus seis filmes prediletos de Jim Carrey:

O Máscara (1994) – O filme é uma grande bobagem, mas é divertido quando assume um lado mais cartunesco e não se leva muito a sério (a trama policial e de romance não são as melhores partes da produção). Jim Carrey não tem medo do ridículo e compra a ideia do longa com louvor, funcionando perfeitamente como o personagem que se transforma quase um demônio da Tasmânia quando coloca uma máscara misteriosa. E o filme ainda tem o mérito de ter apresentado ao mundo Cameron Diaz. Os efeitos especiais envelheceram um pouco, e o roteiro tem uma pegada um tanto machista, mas isso estava longe de ser um problema nos anos 1990. 

Batman Eternamente (1995) – O filme está longe de ser o melhor do homem-morcego, mas também não é o pior. Enquanto Val Kilmer é o Batman mais bonito e os cabelos sempre esvoaçantes de Nicole Kidman garantiram uma indicação de melhor fotografia à produção, Jim Carrey e Tommy Lee Jones pisam forte no acelerador e estão completamente acima do tom, mesmo o longa (dirigido por Joel Schumacher) já sendo bem escandaloso. A trama é uma bobagem, mas funciona. 

O Show de Truman (1998) – Ainda que o filme apresente um verniz cômico, Jim Carrey tem aqui sua primeira grande oportunidade dramática nesse filme visionário e premonitório que adianta em mais de 20 anos o atual estado de obsolescência da privacidade. Em tempos de stories e Tik Toks, o longa soa quase datado e ingênuo ao refletir sobre reality shows e a obsessão do ser humano por celebridades fabricadas ao usar a sina de seu protagonista (um homem que nasceu e cresceu na frente das câmeras alheio ao fato de ser personagem de um reality show) como premissa de uma das grandes obras-primas dos anos 1990. Dirigido por Peter Weir, com roteiro de Andrew Niccol, o longa traz uma das melhores atuações de Carrey, injustamente ignorado pelo Oscar. 

O Mundo de Andy (1999) – Um ano depois de ter sido esquecido pelo Oscar por “O Show de Truman”, Jim Carrey foi esnobado mais uma vez por essa cinebiografia (o tipo de filme preferido da premiação) em que ele interpreta o polêmico humorista Andy Kaufman. Dirigido por Milos Forman, o longa não segue exatamente a fórmula das cinebiografias, fugindo, por exemplo, de uma tentativa de tentar entender o comediante, que foi do auge ao fracasso em pouco tempo, sendo acusado até de forjar sua morte por câncer. O cineasta parece mais interessado em reproduzir na produção a energia caótica de Kaufman. Carrey está ótimo e ganhou mais um Globo de Ouro pelo papel.

Cine Majestic (2001) – Fracasso de bilheteria e de crítica, o longa traz a atuação com registro mais dramático de Jim Carrey, que assume o papel que seria de Matt Damon, um roteirista acusado de comunismo que sofre um acidente, perde a memória e é confundido com um soldado morto. Com dois sucessos nas bagagens, com direito à indicações ao Oscar e tudo (“Um Sonho de Liberdade” e “À Espera de um Milagre”), Frank Darabont carrega na ingenuidade e no melodrama nesse longa um tanto arrastado que funciona em partes, uma delas a atuação sóbria de Carrey. 

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004) – Olhando para trás, esse filme tinha tudo para ser uma bagunça: Michel Gondry é melhor diretor de videoclipes do que de cinema, o roteiro de Charlie Kaufman (vencedor do Oscar) é por demais complexo para um filme hollywoodiano e Jim Carrey e Kate Winslet formam um casal bem improvável. Mas o que poderia ser uma confusão narrativa é, na verdade, um primor de filme que mistura romance, comédia e ficção científica para responder uma das mais misteriosas perguntas que movem a condição humana: e se pudéssemos deletar de nossos mentes quem nos fez sofrer? A resposta pode não ser nenhuma surpresa, mas até chegarmos a ela, Gondry cria um dos grandes romances modernos emoldurado pela cara de perdido de Carrey, pelos cabelos coloridos de Winslet.

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