The Idol

Sam Levinson fez a fama com a série “Euphoria”. Empilhando polêmicas em meio a uma estética de cair o queixo, o criador e diretor do programa da HBO usou a série para refletir sobre os jovens dos dias de hoje, afundando-os em drogas, sexo e redes sociais. Alçado ao olimpo dos deuses do audiovisual, o diretor não demorou a decepcionar com “Malcolm & Marie”, um filme p&b chatíssimo e pretensioso da Netflix protagonizado pela estrela de sua série, Zendaya.

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Em “The Idol”, nova série do rapaz para a HBO, agora em parceria com Reza Fahim e o astro pop The Weeknd, Levinson se entrega de vez à pretensão em um suposto estudo de caso sobre o mundo da indústria da música. Mais uma vez banhando a série em uma estética visualmente acachapante, o filho de Barry Levinson (“Rain Man”, “Bugsy” e a minissérie “Dopesick”) deixa de lado, no entanto, qualquer coerência preferindo apostar na ambientação e não no desenvolvimento da trama ou das personagens.

Lily-Rose Depp (filha de Johnny Depp) vive Jocelyn, uma pop star cuja carreira está por um fio depois de uma série de polêmicas em virtude de uma fase difícil após a morte da mãe. Representada quase como uma Britney Spears à beira de um ataque de nervos e apenas como um objeto manipulável por todos, a jovem acaba conhecendo Tedros (The Weeknd), o dono de uma boate que agencia novos talentos musicais e mais parece o líder de um culto em que todos os ouvem sem reservas. Sem muitas explicações, os dois se apaixonam e ele passa a controlar a cantora, para desespero do time de empresários e agentes da garota.

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A partir desse fiapo de premissa, Levinson e sua trupe esquecem qualquer lógica e preferem apostar no mal gosto, na misoginia e em um desfile de comportamentos tóxicos, com a protagonista sendo usada e abusada feito uma boneca de porcelana por todos, em especial por Tedros, um dos personagens mais nojentos já vistos em uma série voltada para o grande público.

Reside aí um dos principais problemas de “The Idol”: The Weeknd não é um bom ator e soterra a série em uma atuação que se leva a sério demais. Pode parecer pouco, mas o astro pop não tem um pingo de carisma, o que mina a credibilidade do papel, supostamente alguém com capacidade para envolver todos a sua volta.

Se The Weeknd atrapalha a série, Sam Levinson termina de enterrá-la com uma abordagem sexista e canastrona que explora bem mais o corpo de Lily-Rose Depp do que suas emoções. A atriz faz o que pode com o papel, se entregando sem pudor aos devaneios sexuais do roteiro, mas a personagem cai na vala das vítimas sem personalidade até que, do nada, ela se revela uma espécie de femme fatale que de manipulada passa à manipuladora.

Enquanto a credibilidade da série cai por terra ao longo dos cinco episódios, o público fica boiando em meio a uma ótima trilha sonora e uma encenação que ora remete aos thrillers sensuais dos anos 1990 (não por acaso uma cena de “Instinto Selvagem” pipoca na tela logo no primeiro episódio), ora parece uma produção de casa assombrada dos anos 1970.

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Com uma fotografia de cores fortes e quentes e um bom elenco desperdiçado em meio a um caos narrativo (Jane Adams, Da’Vine Joy Randolph, Hank Azaria e a coitada da Rachel Sennott, que vive a assistente da cantora, de longe a personagem mais silenciada e abusada da série), “The Idol” promete muito e pouco entrega. Feita para incomodar e gerar polêmica, a série parece ter nada a dizer sobre o universo que pretende retratar. De longe, umas das piores coisas de 2023.  

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