Enxame

É fácil entender o hype em torno de “Enxame”, minissérie criada por Donald Glover (de “Atlanta”). Falando de um tema bastante atual e com uma roupagem pop de cores, luzes e uma ótima trilha sonora, a trama mistura sexo, nudez, violência, pintos e sangue de uma forma sarcástica e envolvente. Ela ainda atira contra tudo e contra todos, criticando o estado atual de um mundo à beira do caos onde o real está em constante colisão com a fantasia criada pelas redes sociais.

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Enxame” segue a rotina de Dre, uma jovem que parece existir apenas para vangloriar sua diva pop preferida, a cantora Ni’Jah (uma espécie de Beyoncé). Sem um emprego decente, dinheiro e amigos, a garota vive com o rosto colado no celular aguardando novidades sobre o ídolo enquanto alimenta um perfil de fãs da cantora. Ela divide a paixão por Ni’Jah com uma amiga.

Não demora muito, no entanto, para a ordem das coisas sair dos eixos e a garota colocar o pé na estrada em uma busca obcecada pela diva, passando por cima, ao longo do caminho, de todos os haters que encontra pela frente. Uma espécie de mistura de “Quase Famosos” com “Assassinos por Natureza”, a ideia de “Enxame” parece boa, com uma realização visualmente descolada e interessante. Mas a série deixa a lógica de lado em prol do schock value em que o poder das imagens vale mais do que a coerência narrativa.

Enquanto os furos no roteiro vão se acumulando (a minissérie até tenta usar a lógica da invisibilidade da mulher negra para acobertá-los), Dre deixa um rastro vermelho de violência com a clara razão de incomodar o espectador, ainda que de forma “divertida”.

A ideia da série é clara, criticar uma geração alienada pela falsa sociabilidade das redes sociais, em especial um sentimento de pertencimento criado pelas tóxicas comunidades de fãs. Mas a abordagem parece equivocada, privilegiando um show de violência embalado de forma irônica e sarcástica para soar inteligente.

Em meio a um banho literal de sangue, sobra a ótima Dominique Fishback (de “Judas e o Messias Negro”), que se entrega à proposta da série e cria uma Dre que busca a alienação para fugir de sua dura realidade. Ainda que a minissérie trate de forma superficial e com certa leviandade o transtorno psicológico da personagem, a atriz parece um vulcão sempre prestes a explodir, contribuindo e muito para o clima de tensão que embala “Enxame”.

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É de se admirar também a coragem da minissérie em colocar uma mulher negra em um papel tão agressivo e incômodo, especialmente em um momento em que a mídia é cobrada para representar minorias de maneira mais positiva.

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