O Culpado

Apesar de ter construído uma sólida carreira em filmes de ação e policiais, Antoine Fuqua não é considerado um cineasta autoral, e sim um bom diretor contratado para entregar filmes eficientes, mas, no geral, genéricos. 

Ele é o nome perfeito então para dirigir o remake de um thriller dinamarquês de sucesso. Em “O Culpado”, Fuqua entrega um filme rápido e enervante sobre um policial investigado de homicídio que é colocado de castigo para atender ligações no 911. Um dia antes de seu julgamento, o policial atende a ligação de uma mulher sequestrada e precisa correr contra o tempo para salvá-la.

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Em cerca de 90 minutos, Fuqua usa sua experiência para criar tensão e, seguindo os passos do filme original (que não vi, mas está disponível na Amazon Prime Video), concentra a ação toda na sala em que o personagem do policial atende as ligações.

Seguindo a estratégia desse tipo de produção de confinamento, os cortes são ágeis e a câmera está sempre em movimento para deixar no espectador o clima de suspense, afastando-o da sensação de tédio que um longa feito basicamente de ligações poderia causar. Fuqca não deixa a peteca cair, mas o roteiro clichê com direito à reviravolta não foge muito do convencional.

Resta a Jake Gyllenhaal (praticamente o único ator em cena) injetar humanidade à trama. Um dos melhores atores de sua geração, Gyllenhaal aposta em uma atuação quase desequilibrada, ajudando na pegada vertiginosa do longa. Mas o personagem parece desequilibrado demais para ter uma profissão que requer sangue frio para lidar com pressão, o que tira um pouco da veracidade do longa. 

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Assim como em “Dia de Treinamento” (o maior sucesso de Fuqua), o filme até tenta soltar uma crítica aqui e acolá ao papel da polícia e ao comportamento inadequado do policial, com algumas frases de Gyllenhaal destoando da função ética da profissão. Mas o longa é rápido demais para desenvolver essa abordagem, resultando em um final piegas em que o policial encontra, de certa forma, a redenção. 

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