Kimi: Alguém está escutando

Kimi: Alguém que está escutando“, terceiro filme de Steven Soderbergh para a HBO Max, é uma bobagem, um “thriller tecnológico” que parece ter sido atualizado dos anos 1990 diretamente para os dias de hoje. Mas ainda que o roteiro do longa não seja dos melhores e tenha furos e pontas soltas, a produção é entretenimento puro, ágil, tensa e direto ao ponto com apenas 90 minutos. 

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Com sua estrutura clichê de personagem com “problemas mentais” que vê algo que ninguém acredita, grande parte da graça do filme recai sob os competentes ombros de Soderbergh, aqui praticamente emulando David Fincher em “O Quarto do Pânico” (além da ambientação claustrofóbica e que transforma um imóvel em personagem, os dois longas compartilham do mesmo roteirista, David Koepp). 

Com uma direção inspirada, Soderbergh cria um filme que parece uma colagem de outras produções (de “Janela Indiscreta” a “A Rede“, de “Black Mirror” a “Um Tiro na Noite“), conseguindo, mesmo assim, entregar um resultado interessante e original dessa miscelânea de plágios (ou homenagens/referências).

O cineasta, que entre o cinema comercial e o independente, sempre gostou de experimentações, usa aqui a câmera com perfeição, criando a ambientação necessária para o desenrolar da trama ao mesmo tempo que brinca com ângulos e transforma a edição em parte fundamental da narrativa. O resultado é cinemão puro, conseguindo com bem menos o que Joe Wright não teve tanta sorte em “A Mulher da Janela“, outro filme que “Kimi” apresenta semelhanças. 

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Em ambos, uma mulher que passou por um trauma e sofre de agorafobia acredita ter presenciado um assassinato. No caso de “Kimi”, a testemunha não viu o crime, apenas escutou enquanto ouvia áudios de uma assistente virtual tipo Alexa, parte de sua rotina de trabalho. É aqui que o longa se perde um pouco. 

Mesmo que a parte tecnológica a la Black Mirror seja bem construída, servindo como comentário social e inserindo a história na contemporaneidade (o uso de máscaras, álcool em gel e as menções à pandemia também ajudam nesse ponto), a trama chupada de “A Rede” (suspense vagabundo dos anos 90 com Sandra Buloock“) é um pouco mal desenvolvida (a questão da agorafobia se perde no final, por exemplo) e tem um desfecho um tanto apressado e pouco convincente. 

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Mas nada disso realmente importa ou atrapalha o longa porque “Kimi” é divertido e ligeiro. O filme é, na verdade, o melhor trabalho de Soderbergh em muito tempo, descompromissado e despretensioso, bem superior a outras tentativas do diretor em explorar o suspense (caso dos irregulares “Terapia de Risco” e “Distúrbio”). Com a ajuda da atuação de Zoë Kravitz (que me lembrou um pouco Natalie Portman em “O Profissional“), “Kimi” é um ótimo programa, esquecível sim, mas eficiente.

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