Sempre em frente

É impressionante como o Mike Mills consegue fazer um cinema que trafega lindamente entre a verborragia e a poesia das imagens. Seus filmes têm ótimos roteiros, com diálogos cheios de verdade, enquanto suas imagens são carregadas de emoção. Depois do belíssimo “Mulheres do Século XX”, Mills prova mais uma vez que é um cineasta que merece mais reconhecimento mostrando o poder de seu texto e a fluidez de sua edição em “Sempre em Frente”. 

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Com uma bela fotografia em preto & branco e uma edição entrecortada cheia de sobreposições de diálogos com imagens aleatórias e textos demarcando a tela, o diretor remete a si mesmo no ótimo curta “Easy to Find”, uma colagem de músicas do The National que reflete sobre a vida de uma mulher (Alicia Vikander), do nascimento à morte. 

O escopo de “Sempre em Frente” não é tão filosófico quanto seu curta/videoclipe, mas não deixa de ter menos verdade e sentimentos ao narrar a nascimento de uma relação de maior proximidade e complexidade entre um tio e seu sobrinho, interpretados com uma conexão tocante por Joaquin Phoenix (aqui em um registro que lembra um pouco seu papel em “Ela”) e o ótimo novato Woody Norman, que consegue passear de forma bem natural entre a criança fofa e a irritante com uma desenvoltura impressionante. 

Usando quase a estrutura de um road movie, com o personagem de Phoenix pulando de cidade em cidade em virtude de seu trabalho como documentarista (e levando sobrinho a tiracolo graças a um problema familiar), Mills usa a relação entre o tio e o sobrinho para refletir sobre família e conflitos familiares, passagem do tempo, solidão e o impacto que determinados encontros tem em nossas vidas.

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Com ótimas atuações (incluindo aí Gaby Hoffmann, que consegue desenvolver uma personagem real mesmo passando praticamente todo o filme falando ao telefone), um texto primoroso e um ar de melancolia que impregna todas as cenas, Mills entrega um filme delicado, honesto e sensível sem ser piegas ou pretensioso. Infelizmente, o filme foi completamente ignorado pelo Oscar (o longa merecia estar presente em categorias como melhor filme, direção, ator, atriz coadjuvante, roteiro e edição).

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