Fresh

Quanto menos se sabe sobre a trama de “Fresh“, mas interessante pode ser a experiência de assistí-lo. Mas o próprio trailer já revela parte do plot desse thriller disfarçado de comédia romântica que revela o potencial de Mimi Cave, diretora de curtas e videoclipes que estreia em longa-metragem com esse filme que segue bem a linha atual de produções contra o patriarcado.

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Disponível na Star Plus, “Fresh” começa quase como um tratado sobre os encontros casuais marcados em aplicativos de relacionamento. Noa (Daisy Edgar-Jones, da minissérie “Normal People“) não gosta de encontros, mas está sempre de olho no aplicativo em busca de novas possibilidades de romance. Depois de um encontro fracassado, ela acaba conhecendo um cara legal (Steve, vivido por Sebastian Stan) à moda antiga, no corredor de um mercado.

Com a câmera quase colada no rosto dos atores, Mini Cave mostra a química surgindo entre Noa e Steve de forma palpável e convincente, apostando no sensorial do encontro. Se realmente fosse um romance, o longa seguiria esse caminho mostrando como os dois se tornam mais íntimos e se apaixonam.

Mas “Fresh” não é mesmo uma comédia romântica e logo o filme dá uma virada deixando o espectador de cara. Steve, óbvio, não é um cara tão legal assim, e a produção passa a mostrar uma série de bizarrices de forma escalonada. O resultado é assustador e divertido, ainda que, mesmo nem sempre se levando a sério, o longa derrape um pouco no exagero (em especial na atuação um pouco caricata de Sebastian Stan).

Pincelando questões como a riqueza exagerada que sempre busca a exclusividade, ainda que de forma anormal e esquisita, e o fetiche do homem pelo corpo da mulher (aqui elevado à enésima potência), “Fresh” remete de “O Silêncio dos Inocentes” ao visceral “Raw“, do mais recente “O Homem Invisível” à cena mais marcante do último episódio da quarta temporada de “The Handmaid’s Tale“, com um homem despertando o lado mais violento das mulheres.

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Nem tudo são flores, no entanto, com o roteiro de “Fresh” não deixando muito claro o “modus operandi” de Steven (o filme até insinua que o encontro dele com Noa não foi casual) e apelando forte para o clichê da amiga de Noa que desconfia de cara das intenções do moço e investiga o seu sumiço. Mas esses são apenas deslizes que não comprometem realmente o resultado grotesco do longa.

Imperfeito, angustiante, violento, muito bem filmado e bastante peculiar, “Fresh” não é para todos os gostos, mas pode ser uma experiência interessante para quem gosta de tramas inusitadas e que não têm medo de apostar no ridículo.

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