Batman dos anos 90: um revisão

Depois de mais de dez anos do sucesso do primeiro filme do “Super-Homem” (1977), o interesse do cinema por heróis de quadrinhos estava bem em baixa quando a Warner chamou o então visionário Tim Burton para comandar a adaptação para as telonas de um dos personagens mais famosos da DC, propriedade do estúdio.

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Com uma estratégia de marketing massiva que mudou a forma como Hollywood vende suas produções, “Batman” estreou nos cinemas em 1989. Deixando um pouco, mas só um pouco de lado, a versão cartunesca e infantil da série dos anos 1960 do herói, o cineasta entrega um produto irregular, mas que fez um sucesso estrondoso na época.

Com uma direção de arte expressionista e uma encenação que lembra os filmes de gângsters, Burton esquece a lógica do roteiro e cria um Batman que fica no meio termo entre o herói de ação e o alívio cômico, quase perdido entre os cenários grandiosos (vencedores do Oscar) e algumas imagens icônicas. Sem medo do ridículo, o cineasta entrega o longa nas mãos de um Jack Nicholson ensandecido como Coringa e que rouba a cena dançando nos momentos mais inadequados músicas compostas por Prince.

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Três anos depois, Burton voltaria a dirigir a continuação do filme (“Batman, O Retorno“) com mais liberdade criativa e vontade de entregar um longa sombrio e marcante, antes de assumir apenas a produção nas continuações seguintes.

Com Val Kilmer e depois George Clooney substituindo Michael Keaton, agora sob o comando de Joel Schumacher, “Batman Eternamente” e “Batman & Robin” sobem ainda mais o tom do exagero e apostam nas cores e na encenação carnavalesca, se afastando da visão mais sombria de Burton. A estratégia não deu muito certo, o que pavimentou o caminho para que, anos depois, Christopher Nolan assumisse a direção de uma nova versão mais realista do herói.

Com toda a competência técnica de Hollywood a seu dispor, Nolan aposta em um Batman mais brutamontes e militarizado, deixando para trás a ação meio desengonçada das produções de Burton e Schumacher. Seguindo a visão de Nolan, “Batman Begins“, “Batman, o Cavaleiro das Trevas” e “Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge” são filmes mais sérios em que o espetáculo está em primeiro lugar.

Em alto e bom som, as cenas de luta e de perseguição ganham destaque em meio a roteiros melhores construídos, ainda que, no fundo, os longas sejam mesmo sobre o herói mascarado lutando contra maníacos que querem dominar Gotham City. Diferente de Keaton, Kilmer e Clooney, o Batman de Nolan e Christian Bale também é mais atormentado, com o trauma da morte de seus pais na infância realmente se fazendo presente, não apenas um detalhe das histórias como nas produções anteriores.

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Batman (1989) – Com mais de 30 anos e depois de outras roupagens mais modernas e brutalizadas do herói, “Batman” parece datado e fora do tom nos dias atuais, com pelo menos um elemento que destoa do resto do filme, uma Kim Basinger péssima e completamente infatilizada. Ainda que falha, a produção é impecável e tem o mérito de ter ressuscitado o interesse por adaptações de heróis de HQ, sendo seguida um ano depois por “Dick Tracy”.

Batman, o Retorno (1992)Tim Burton teve total liberdade para trabalhar na sequência do filme protagonizado pelo cavaleiro mascarado. O resultado é um longa mais sombrio sobre o herói traumatizado pela morte dos pais. Sem necessariamente apostar na grandiosidade expressionista da direção de arte do primeiro, buscando uma cenografia um pouco menos exagerada e uma trilha sonora de Danny Elfman que o torna quase um conto de fadas, o longa também não está muito preocupado com cenas de ação bem coreografadas. Aqui, Burton explora um lado mais sexual do Batman, entregando um longa que é praticamente um delírio sadomasoquista, especialmente na relação do herói com a vilã Mulher-Gato (uma Michelle Pfeiffer maravilhosa).

Batman, Eternamente (1995) – O filme está longe de ser o melhor do homem-morcego, mas também não é o pior. Enquanto Val Kilmer é o Batman mais bonito e os cabelos sempre esvoaçantes de Nicole Kidman garantiram uma indicação de melhor fotografia à produção, Jim Carrey e Tommy Lee Jones pisam forte no acelerador e estão completamente acima do tom, mesmo que o longa (dirigido por Joel Schumacher) já seja bem escandaloso e cheio de cores. A trama é uma bobagem, mas funciona.

Batman & Robin (1997) – Nada, absolutamente nada funciona nessa bagunça que está mais para um desfile de escola de samba do que para um filme. Joel Schumacher pega tudo que não deu errado nos filmes anteriores e joga aqui de forma desordenada e exagerada. Das atuações de centavos aos diálogos ridículos, do roteiro inexistente à ação épica e descoordenada, tudo é horroroso, inclusive a direção de arte e os efeitos especiais. Não por acaso, Batman morreu depois dessa tragédia, até ser ressuscitado por Christopher Nolan quase 10 anos depois.

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