Desalma – Segunda temporada

Quase dois anos depois da estreia da primeira temporada, “Desalma” ganhou uma nova leva de episódios que dão uma sobrevida à série original da Globoplay. Basicamente com os mesmos personagens e ainda explorando a mesma trama da temporada passada, o programa segue tentando dar um sentido à história que envolve uma família de bruxas e a família mais rica da cidade Brígida, no interior do Sul do país.

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Ainda se dividindo em linhas temporais do passado e do presente, a segunda temporada da série ganha pontos por já ter a trama estabelecida, o que adianta a vida do espectador em se envolver na história sobre possessão de corpos por mortos, bruxaria e dramas familiares. Começando pouco depois do fim da primeira temporada, os novos episódios focam em alguns ganchos deixados pelos capítulos anteriores, como a possessão da garota Melissa por Halyna (filha da bruxa vivida por Cássia Kiss e morta na primeira linha temporal da temporada passada) e de Boris por Roman.

Mas se a segunda temporada acerta em explorar assuntos já apresentados ao público, facilitando o envolvimento do mesmo, o programa segue com as mesmas falhas do passado. A encenação segue dura, forçada e excessivamente se levando a sério demais, com diálogos sofríveis e escolhas do roteiro que não fazem o menor sentido. Vários personagens, por exemplo, estão cientes de que duas pessoas da comunidade estão possuídas, mas continuam levando uma vida aparentemente normal, o que não convence.

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Se o roteiro amador e a direção pretensiosa minam as possibilidades de “Desalma”, os atores tentam a todo custo atribuir algum tipo de verdade a seus personagens. Infelizmente, poucos conseguem. Cássia Kiss é a que se sai melhor como a bruxa Haia. Cláudia Abreu, uma das melhores atrizes brasileiras, se esforça, mas várias vezes derrapa nos diálogos ou nas cenas sem sentido. Em um de seus melhores momentos, a atriz chora pelo filho e parece clamar por falas coerentes e uma melhor dramaturgia.

Antes focada nos anos de 1988, quando a garota é assassinada, e 2019, quando o plano de vingança da Haia é colocado em prática, a segunda temporada acrescenta uma nova linha temporal que se passa em 1995, tanto em Brígida quanto em Kiev, na Ucrânia. Mas a estratégia parece desviar a história de seu rumo para ocupar tempo com as passagens na Ucrânia que pouco influenciam na linha temporal mais atual.

Outro problema dessa segunda temporada é se adiantar e deixar várias peças sem resposta para serem resolvidas em uma possível nova leva de episódios. Todo o plot envolvendo a nova policial e o personagem misterioso de Fábio Assunção parece solto e nada relacionado à trama central, decepcionando quem esperava algum tipo de conexão entre as histórias.

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Ainda que com várias falhas e, no geral, soando como uma série quase amadora em virtude de sua imaturidade narrativa e cênica, “Desalma” consegue ser envolvente. E a série segue tendo um mérito louvável de explorar o terror, gênero pouquíssimo abraçado pelo audiovisual brasileiro.

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