Blonde

Muito se reclama da atual moda de cinebiografias de pessoas famosas, filmes genéricos que parecem uma coletânea de momentos bons e ruins de atores, políticos e, especialmente, cantores, caso de “Bohemian Rhapsody“, “Judy” e “Estados Unidos vs. Billie Holiday“, para citar exemplos recentes. “Blonde” foge dessa fórmula e se esforça para mostrar que o cineasta Andrew Dominik (“O Homem da Máfia”) tem uma visão sobre a vida de Marilyn Monroe, um dos maiores sex symbols do cinema. Ainda que siga uma estrutura cronológica linear, o diretor não parece nada interessado em contar a história de vida da estrela, mas sim refletir sobre ela.

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O problema é que, de acordo com a visão de Dominik, Marilyn Monroe vivia uma espécie de pesadelo, com direito a abuso na infância da própria mãe, estupro, abortos e dependência química, em um espiral infinito de dramas, traumas e decaídas. De acordo com o diretor, Monroe era também uma pessoa que vivia uma eterna busca, pelo pai, por uma identidade, por um filho, nunca se contentando com a fama, a fortuna ou o papel que precisava desempenhar.

Mal comparando, “Blonde” lembra “Biutiful“, de Alejandro G. Iñárritu, ambos apostando em uma descida sem fim de seu protagonista ao inferno. A diferença é que Dominik estetiza seu filme ao máximo, tornando a decadência de Monroe algo muito bonito de se ver, com uma produção suntuosa e uma fotografia dos sonhos que inunda o tormento da estrela em beleza e câmeras lentas.

Em quase três horas que apelam para imagens distorcidas ou metáforas óbvias de flashes funcionando como tiros, Marilyn Monroe é pintada insistentemente como vítima, passando de mão em mão por vários algozes, a mãe, a lembrança do pai que a abandonou, homens que queriam seu corpo, uma indústria que queria sua imagem, e por aí vai.

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Desaparecendo no papel, Ana de Armas (“Entre Facas e Segredos“, “Águas Profundas“) modula sua voz e postura e se entrega sem reservas à visão pretensiosa de Andrew Dominik, quase tornando o filme interessante e palatável. Mas a atriz acaba soterrada em sofrimento, criando uma Marilyn que, muitas vezes, parece mais vítima de si mesma do que dos outros. Depois de uma surra de tragédias, a morte de Monroe chega, finalmente, quase como um alívio, um respiro diante de um longa que nunca se cansa de torturar sua protagonista e, por tabela, o público.

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