Duna – Parte 2

O que dizer sobre a segunda parte da adaptação da ópera espacial do clássico da sci-fi de Frank Herbert que já não tenha sido dito? Ainda que não entregue um filme perfeito (assim como a primeira parte), Denis Villeneuve desenvolve em “Duna: Parte 2” um universo envolvente e misterioso empacotado pelo que de melhor Hollywood pode oferecer.

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Com a segunda parte de “Duna”, o diretor canadense transforma-se no cineasta que mais parece entender sobre o gênero ficção científica atualmente no cinema. Do cerebral “A Chegada” passando pela filosófica continuação de “Blade Runner” (“Blade Runner 2049) chegando as duas partes de “Duna”, Villeneuve entrega imagens impactantes sem deixar de lado o desenvolvimento da narrativa e a emoção (ainda que, pelo menos nos dois “Dunas”, essa emoção dependa muitas vezes da trilha sonora épica de Hanz Zimmer).

Ganhando em escala em relação aos seus trabalhos anteriores, o diretor conduz esse épico operístico com gosto, explorando não apenas o aspecto visual, mas também o caráter político da trama, que mistura profecias com disputas familiares e de poder. Se na primeira parte de “Duna”, o diretor parece mais interessado em apresentar os personagens e o universo criado por Herbert, em “Duna: Parte Dois”, ele prefere desenvolver a trama, especialmente o aspecto religioso dela, visto aqui como uma ferramenta de poder em prol da dominação de povos.

Graças principalmente à escala da produção, nem tudo realmente funciona. Mas é impressionante como Villeneuve dirige o longa com uma mão firme que não deixa que a profusão de personagens e de linhas narrativas virem uma bagunça. Isso, claro, vem com um preço, especialmente no que diz respeito à edição, que, em determinados momentos parece truncada (em um momento, Paul Atreides está passando por uma prova de fogo no deserto para em um corte já aparecer lutando junto com os Fremen; em outra parte, ele quer aprender a domar os vermes para logo em seguida já domar um).

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São questões menores que não maculam o filme, que também parece sofrer do mesmo mal das grandes produções hollywoodianas de exagerarem no alívio cômico (aqui representado por um Javier Bardem caricato que, mesmo não intencionalmente, carrega em um bordão – “Assim como está escrito”- que logo perde a graça, prejudicando até a própria crítica do longa ao fanatismo religioso).

Essas falhas são compensadas, no entanto, pela paixão demonstrada pelo material, traduzida em imagens e sons potentes e carregados de impacto. É difícil imaginar que “Duna: Parte 2” não repita o sucesso de “Duna” no Oscar (10 indicações), com menções para a bela fotografia de Greg Fraiser (vencedor do prêmio pela primeira parte), a direção de arte grandiosa (que segue o tom brutalista e oscarizado da primeira parte) e os figurinos detalhistas de Jacqueline West (que perdeu o Oscar pelo primeiro filme para “Cruella”).

Se esteticamente o filme é um deleite, ele também ganha força graças a um elenco comprometido até nos pequenos papéis (Christopher Walken, Léa Seydoux, Charlotte Rampling e Florence Pugh). Se Zendaya ganha mais espaço e Rebecca Ferguson segue ótima como a mãe de Paul Atreides, o destaque é mesmo um Timothée Chalamet que cresce em sua estatura de herói (algo que no primeiro filme parecia pouco crível). Já Austin Butler carrega na vilania, mas deixa a impressão de seguir com o mesmo sotaque de “Elvis”, agora no espaço.

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Denso, bombástico, épico e operístico, “Duna: Parte 2” é, para o bem e para o mal, o melhor que Hollywood pode nos oferecer em termos de grandes produções. Em tempos de filmes da Marvel e da DC cada vez mais genéricos, não deixa de ser um alívio que seja uma ficção científica difícil e cabeça que pareça a real salvação do cinema.

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