Pose – Terceira temporada

Criada por Ryan Muprhy, “Pose” estreou em 2018 dando voz a personagens marginais nunca antes vistos como protagonistas na TV norte-americana. Girando em torno da cultura dos ballrooms no final dos anos 1980, a série trazia a habitual afetação de Murphy em meio a muitas batalhas de vogue, figurinos opulentos e disputa de egos entre as Houses.

No centro dos holofotes, personagens como Pray Tell, a boazinha Blanca Evangelista, a sonhadora Angel e a mesquinha Elektra Abundance conquistaram o coração do público e compensaram as falhas da série (uma trama cheia de saltos e sem foco, por exemplo). Graças ao frescor narrativo e à importante representatividade, a série foi um sucesso de público e crítica (ganhou, inclusive, o Emmy de melhor ator para Billy Porter).

Em ano depois, a segunda temporada, infelizmente, não conseguiu manter a qualidade da primeira. Já sem a supervisão de Ryan Muprhy (que deixou o canal FX e migrou para a Netflix), a série saltou para o início dos anos 1990 e deixou um pouco de lado o fervo, as festas e a afetação, passando a se levar a sério demais. Os ballrroms perderam espaço e viraram coadjuvantes dos dramas das personagens, do preconceito em relação à AIDS passando pela luta contra o vício de drogas. 

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Com uma mão pesada no melodrama e uma direção sem brilho, os defeitos da série ficaram mais evidentes: a falta de desenvolvimento das tramas e atores que nem sempre conseguiam sobreviver a diálogos cafonas de superação e situações que beiravam o ridículo dentro do universo do programa (como uma personagem que morre e volta do além para dar lição de moral nos amigos). 

Depois de um ano de hiato, “Pose” voltou para a terceira e última temporada em 2021. Na sua despedida, a série consegue melhorar em relação a segunda temporada, abrindo espaço novamente para a cultura do ballroom e para momentos em que o humor e o espetáculo são os protagonistas (os melhores momentos seguem sendo protagonizados por Elektra Abundance, muito bem defendida por Dominique Jackson – o melhor episódio da última temporada é centrado na origem da personagem). 

Mas a direção pesada continua sendo um dos principais problemas da série, com uma trilha sonora solene que afunda várias cenas em uma abordagem piegas e desnecessária. O desenvolvimento das personagens também deixa a desejar, seja porque parece abrupto demais ou porque as atitudes delas são previsíveis.

Ainda assim, “Pose” teve seus momentos ao colocar como protagonistas personagens negros, latinos, gays e mulheres trans em meio a cenários extravagantes com direito à final feliz (ainda que agridoce) e criticar uma cultura branca e heterossexual pouco interessada na diversidade (o último episódio traz uma leve alfinetada à série “Sex and the City”, da HBO). Mas a verdade é que a série termina apontando que não tinha muito mais o que dizer. Infelizmente, Pray Tell, Blanca Evangelista, Angel, Elektra Abundance, Lulu, Ricky e Papi não vão deixar saudades. 

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