Cinderela

A primeira pergunta que vem a cabeça quando se assiste a essa nova versão de “Cinderela” (disponível na Amazon Prime Video) é “por quê?” já que só faz cerca de seis anos que a Disney lançou um belo live action dirigido por Kenneth Branagh.

A resposta vem por meio de mais uma tentativa de modernizar ainda mais o conto de fadas. Nessa nova chave de leitura, o longa transforma Cinderela em uma espécie de empreendedora que quer lançar sua marca de roupa, quase uma Cruella do bem.

Assumindo uma pegada mais feminista, com várias personagens coadjuvantes seguindo o discurso light de empoderamento da protagonista, o filme explora a ideia do que mais do que um casamento feliz, as mulheres querem mesmo é realizar o sonho profissional. Entre o amor e a labuta, vence o mercado de trabalho. Em tempos tão difíceis como os atuais, com recorde de desemprego e baixos salários, faz sentido.

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Ainda que seja um filme de época, “Cinderela” aproveita a atualização da abordagem e adota uma encenação anacrônica, seja na diversidade do elenco, nos figurinos que misturam elementos de várias épocas e na própria música. Mal comparando, a produção quer ser uma espécie de novo “Moulin Rouge“, com vários sucessos pop (Madonna, Queen, White Stripes) servindo para costurar a história da gata borralheira maltratada pela madrasta que ganha o coração do príncipe graças a uma noite encantada.

Se o trailer anunciava uma tragédia, o longa até que diverte e passa rápido. Há várias cenas constrangedoras e cantoria fora de hora, além de algumas atuações dignas de peça infantil de colégio. Mas o longa segue o seu conceito à risca e sem medo do ridículo. Às vezes funciona, seja na humanização da vilã (vivida com certa melancolia por Idina Menzel) ou na sátira que o filme faz à realeza e suas tradições.

Entre muitos erros e alguns acertos, o grande problema da produção é mesmo Camila Cabello, uma dessas cantoras pop genéricas que dão em árvores. Ela exagera nas caras e bocas enquanto declama os diálogos ruins e saltita nas cenas musicais. Cabello vive Cinderela como se fosse uma Lea Michele (de “Glee“) piorada e ainda mais chata. Ela até compra a ideia do filme, mas lhe falta a sutileza de uma Minnie Driver (que faz muito bem o papel da rainha com quase nada). Em resumo, o filme é divertidinho e ligeiro. Basta ter expectativa nenhuma.

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