O Último Duelo

Desde o sucesso de “Gladiador” que Ridley Scott tenta dirigir um bom épico no cinema, tendo falhado na missão em “Cruzada”, “Robin Hood” e “Êxodo: Deuses e Reis”. Apesar de ter naufragado nas bilheterias, “O Último Duelo” é a tentativa mais bem-sucedida de repetir o êxito do épico que deu o Oscar a Russell Crowe, ainda que o filme tenha suas falhas. 

A primeira delas é o próprio escopo “épico” do longa. Apesar de ter grandes cenários e ser ambientado em meio a batalhas medievais por posse de terras, o foco da trama não são as lutas, mas sim o drama dos personagens que precisam lidar com uma acusação de estupro. Mesmo sendo um filme de época ambientado entre castelos e guerras, apenas a cena do tal duelo é realmente grandiosa. No mais, a maior parte da produção se passa em meio a conversas políticas e discussões morais, o que pode decepcionar o público que veio ver um novo “Gladiador”.

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Ridley Scott parece querer que o filme tenha uma dimensão maior do que a história pede, resultando em várias cenas soltas e sem muito impacto, inclusive o momento do estupro centro da produção. O fato do longa ser dividido em três capítulos que contam as versões dos fatos dos envolvidos na acusação reforça o problema deixando o longa mais lento e repetitivo, relegando ainda a personagem principal (a ótima Jodie Comer, de “Killing Eve”) quase ao papel de coadjuvante da própria história. 

O fato de “O Último Duelo” demorar a engrenar, principalmente por causa dos dois primeiros capítulos (centrados na visão dos personagens de Matt Damon e Adam Driver) serem menos envolventes, também contribui para que o filme perca força. Assim que Jodie Comer assume o comando, a produção parece entrar nos eixos, mas já é tarde demais para o “O Último Duelo” ser a grande obra que pretende ser. 

Com um bom elenco (a exceção é um Ben Affleck afetado e moderno demais para o papel), “O Último Duelo” se segura por conta da importância da história (baseada em acontecimentos reais) e ao tomar sem nenhuma vergonha o lado da vítima de estupro, ganhando relevância ao, infelizmente, deixar claro que nem tudo mudou em relação à condição da mulher mesmo depois de séculos. 

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