A crônica francesa

A Crônica Francesa” é uma explosão de direção de arte na cara do espectador. Por mais que o cinema de Wes Anderson tenha uma estética particular cuja marca maior são os cenários rebuscados, o cineasta se supera nesse novo trabalho, inundando a tela com tantos detalhes que é praticamente impossível acompanhar tudo à primeira vista.

Três anos depois da animação “Ilha dos Cachorros“, Wes Anderson volta ao seu hábitat natural nesse longa que é dividido em várias histórias, todas tendo como linha de costura um jornal editado por Bill Murray e cujo repórteres são gente como Tilda Swinton, Jeffrey Wright, Owen Wilson, Frances McDormand e Elisabeth Moss.

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Com seu humor nonsense e rebuscado, quase intelectualizado, Wes Anderson usa esses personagens e cenários para fazer uma homenagem ao jornalismo e à palavra em um de seus roteiros mais verborrágicos, enchendo seu filme com referências e seguindo à risca sua estética simétrica e de cores pastéis (aqui com várias inserções em preto & branco). 

É impressionante acompanhar os filmes do diretor, que, aqui mais do que nunca, parece quase teatral com uma encenação marcada e ensaiada, da movimentação das câmeras à postura do elenco. O resultado é belíssimo de ver e ouvir, dos figurinos à fotografia, dos cenários à trilha sonora, com Anderson mantendo a sua posição de maior autor hispter do cinema hollywoodiano. 

Outro ponto a favor de “A Crônica Francesa” é que, se em seus últimos trabalhos (especialmente em “Moonrise Kingdom” e “O Grande Hotel Budapeste“), o diretor deixava a estética praticamente tomar conta de tudo, em seu novo trabalho, Anderson recupera um pouco a delicadeza de seus primeiros filmes. Ainda que as tramas sejam irregulares e a produção vá perdendo uma pouco de força (a história sobre o artista vivido por Benicio Del Toro é de longe minha favorita), o cineasta filma tudo não apenas com esmero, mas com paixão. 

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Amparado por um ótimo elenco que sabe exatamente o que Wes Anderson quer (frases ditas de forma perfeita em meio a um humor discreto e uma postura blasé), “A Crônica Francesa” vira um verdadeiro desfile de atores conhecidos fazendo quase nada apenas para estar em um longa do diretor, contribuindo com a visão singular do cineasta (Owen Wilson, Christoph Waltz, Willem Dafoe, Edward Norton, Saoirse Ronan, Elisabeth Moss, Jason Schwartzman e vários outros, por exemplo, mal aparecem).

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