A Idade Dourada

Roteirista de “Gosford Park” e criador de “Downton Abbey“, Julian Fellowes tem experiência em histórias que mostram as diferenças entre a elite e a plebe. Em sua nova série, “A Idade Dourada“, já renovada para uma segunda temporada pela HBO Max, o autor muda um pouco o foco de suas tramas centrando a narrativa na batalha de costumes entre os novos ricos e a aristocracia tradicional na Nova York do final do século XIX.

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A série traz como protagonistas o casal Russell, que fez fortuna com a construção de linhas de trem. Recém-chegado ao centro de Nova York, o casal é visto com olhos tortos pela elite tradicional que teme que os novos ricos distorçam seus costumes e valores. Enquanto George Russell luta para manter os negócios rentáveis, sua esposa Bertha se empenha em entrar no seleto grupo dos mais mais da sociedade da época.

É a partir dessa dinâmica, que gira em torno de uma mistura de interesses românticos e financeiros, com a luta do velho contra o novo, que “A Idade Dourada” desenvolve sua narrativa. Para isso, o criador da série usa como mote duas famílias vizinhas que representam a força central dessa batalha entre o conservador e o moderno. Enquanto os Russells representam o dinheiro e o futuro, a viúva Agnes Van Rhijn e a sua irmã solteirona Ada Brook se agarram à tradição e aos velhos valores.

Narrada de forma envolvente, “A Idade Dourada” adota um registro novelesco que casa bem com o desenrolar da história, que tem dramas bem mundanos como as origens humildes de um chef, o desespero dos novos ricos em oferecer um jantar à moda inglesa ou a falta de respostas da elite tradicional ao baile de debutante da jovem filha dos Russells.

Em meio a chás, fofocas, reputações duvidosas, traições, filhos gays, vestidos bufantes e chapéus absurdos, a série funciona mesmo que a trama, às vezes, peque pela quantidade excessiva de personagens, sendo difícil acompanhar os nomes de alguns deles. Isso fica ainda mais evidente quando a série foca nos empregados da mansão dos Russells e da viúva Agnes Van Rhijn, que não são totalmente desenvolvidos e se esgueiram por meio de dramas superficiais e rápidos (algo até aceitável em uma série que pode desenrolar melhor as histórias em temporadas futuras).

Mesmo com essas falhas de desenvolvimento, com conflitos apresentados e resolvidos de forma rápida demais, “A Idade Dourada” tem como trunfo o ótimo elenco, liderado pela maravilhosa Carrie Coon (“The Leftovers“, “Garota Exemplar“), que vive com determinação a impetuosa Bertha Russell, que quer a todo custo participar da alta sociedade.

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Outro nome do elenco que chama a atenção é a sempre ótima Christine Baranski, que mesmo pouco utilizada mistura muito bem amargura com um toque de humor. Já Cynthia Nixon, de “Sex and the City“, ganha menos destaque ainda como a tia solteirona que encobre “os desvios de regra” da sobrinha Miriam, uma apagada Louisa Jacobson que é quase tão chata quanto as mocinhas das novelas das 18h.

No geral, “A Idade Dourada” não apresenta nada de novo, mas é bonita de ver e tem grandes momentos em meio a um resultado divertido.

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