To Leslie

Não há absolutamente nada de novo em “To Leslie”, drama indie que ganhou notoriedade após a indicação surpresa de Andrea Riseborough ao Oscar de melhor atriz. Em mais uma trama de superação, ela interpreta uma mulher que ganhou um prêmio da loteria e gasta todo o dinheiro em álcool e festas, deixando para trás um rastro de traumas e relações quebradas.

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O filme começa com uma reportagem na TV mostrando a alegria de Leslie ao receber um cheque de 190 mil dólares da loteria. Um corte e seis anos depois, ela é despejada de um hotel de beira de estrada por falta de pagamento e segue sem rumo. Magra, abalada e em situação de rua, ela acaba pedindo ajuda para o filho, quem ela abandonou há seis anos quando sua vida começou a sair dos trilhos.

Parecendo um filme produzido nos anos 1990 e começo dos anos 2000, “To Leslie” aperta todas as teclas clichês das narrativas de superação. Leslie segue errando e tenta superar seus dramas sem muito esforço até se esbarrar em uma alma caridosa que acredita nela e lhe oferece um emprego e uma nova chance, tudo bem didático e previsível.

Bem filmado com uma fotografia granulada que cola em Andrea Riseborough, a direção de Michael Morris (diretor de episódios de séries tão díspares como “Brothers & Sisters” e “Better Call Saul”) é, no entanto, genérica, não se esforçando para contornar o tom piegas do texto. O diretor até tenta apostar em uma abordagem mais indie de um tema mais comum ao melodrama comercial, mas ele acaba deixando o longa nas mãos do elenco, em especial de Riseborough.

Competente, Andrea Riseborough (de “Não Me Abandone Jamais”, “W.E”, “Oblivion”, “Mandy” e “Possessor”) realmente se entrega ao papel da mulher perdida em suas próprias dores, interpretando um arquétipo de personagem que já rendeu Oscar para nomes como Nicholas Cage (“Despedida em Las Vegas”) e Jeff Bridges (“Coração Louco”), por exemplo. Mas “To Lelie” prefere apresentar a questão do alcoolismo de uma forma mais superficial, ainda resvalando para o clichê do “amor salva” enfiando um romance um tanto dispensável e equivocado no meio do roteiro.

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Não por acaso a indicação de Andrea Riseborough ao Oscar causou tanto barulho (especialmente porque “To Leslie” é um filme obscuro que pouca gente viu). Não que outras atrizes já não tenham sido indicadas ao prêmio por papéis clichês em filmes genéricos. Mas não deixa de ser frustrante, por exemplo, que a Academia tenha preterido papéis mais marcantes de um ponto de vista feminino/feminista (como Viola Davis em “A Mulher Rei” e Mia Goth em “Pearl”) por uma boa atuação de uma personagem tão comum.

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