
Michelle Pfeiffer recebeu sua terceira e última indicação ao Oscar (até agora) pelo drama romântico “As Barreiras do Amor”, lá em 1993. Filmado em 1990, o filme ficou engavetado por meses em razão da falência da produtora Orion, até finalmente ganhar a luz da tela no final de 1992. O longa acabou sendo exibido também no Festival de Berlim no início de 1993, rendendo a Pfeiffer o prêmio de melhor atriz. Ela foi indicada ainda ao Golden Globe na categoria drama e ao Oscar meses depois.
Acompanhe Esse Filme que Passou Foi Bom também no Instagram
Apesar da indicação ao prêmio máximo da sétima arte, “As Barreiras do Amor” ficou praticamente esquecido no tempo, até porque sua bilheteria foi de pouco mais de um milhão de dólares, isso em uma época em que dramas adultos rendiam dinheiro nos cinemas. Pfeiffer perdeu tanto o Golden Globe quanto o Oscar para Emma Thompson pelo elogiado drama de época “Retorno a Howards End”, longa indicado em categorias como filme, direção e vencedor também dos prêmios de roteiro adaptado e direção de arte.
As outras indicadas foram Catherine Deneuve, pelo vencedor do prêmio de filme estrangeiro, “Indochina”, Susan Sarandon, por “Óleo de Lorenzo”, e Mary McDonnell (“Tudo pela Vida”). Além de serem dramas, com exceção de “Howards End”, nenhum dos filmes da categoria teve uma bilheteria expressiva, mostrando que, na época, prestígio e fama eram levados mais em consideração do que dinheiro. Sharon Stone, por exemplo, apesar da indicação ao Golden Globe e de uma bilheteria mundial de mais de 300 milhões de dólares, foi ignorada pelo hoje clássico e cult “Instinto Selvagem”.

Acompanhe Esse Filme que Passou Foi Bom também no TikTok
Michelle Pfeiffer, elogiadíssima como Mulher Gato no sucesso “Batman, O Retorno”, hoje considerada uma de suas melhores atuações, recebeu a indicação por um drama menor na filmografia da atriz. Dirigido por Jonathan Kaplan (que levou Jodie Foster ao Oscar por “Acusados”), “As Barreiras do Amor” mistura drama, romance e racismo em um filme que envelheceu relativamente bem em sua forma de abordar temas delicados.
Pfeiffer vive uma dona de casa obcecada por Jackie Kennedy que deixa o marido em casa e se aventura em uma viagem de ônibus para acompanhar o funeral do presidente assassinado. Durante a viagem, ela se envolve com um homem negro (Dennis Haysbert assumindo um papel que seria de Denzel Washington) e sua filha pequena, em uma época quando o racismo nos Estados Unidos era bem menos velado do que agora.

Temáticamente, “As Barreiras do Amor” lembra uma versão bem menos sucedida do excepcional e esteticamente superior “Longe do Paraíso”, que rendeu uma indicação ao Oscar para Julianne Moore e também conta com Dennis Haysbert no elenco. Kaplan, no entanto, está longe de ser Todd Haynes, entregando um filme competente, mas nunca excepcional, especialmente por sugerir um final feliz que parece bastante inverossímil.
Para saber onde ver os filmes, pesquise no JustWatch
Já Michelle Pfeiffer consegue prender a atenção, criando um retrato carismático de uma mulher alienada que começa a perceber que o mundo à sua volta está longe de ser perfeito. É a atriz que mantém a atenção do público investindo nessa personagem verborrágica que consegue superar os problemas de roteiro, por exemplo. Mas não deixa de ser curioso que sua última indicação ao Oscar venha justo dessa produção, mesmo a atriz tendo atuações bem melhores em produções posteriores como “A Época da Inocência”, “Revelação”, “Deixe-me Viver”, “Chéri” e “Saída à Francesa”.
Leia também:
mãe!
Where is Kyra?