
No geral, eu não gosto de musicais, ainda mais aqueles em que os personagens fazem coisas banais como pedir água cantando músicas orquestradas. Para cada “Amor, Sublime Amor”, “Moulin Rouge” e “Chicago”, existem vários “Os Miseráveis”, “Caminhos da Floresta”, “O Fantasma da Ópera” e “Cats” que eu acho simplesmente insuportáveis.
Dito isso, esse “Em um bairro de Nova York” fica no meio termo entre a chatice e um bom entretenimento. O filme, por exemplo, é muito bem filmado e dirigido por Jon M. Chu, com uma boa edição e uma bela fotografia. Mas a duração excessiva e a overdose de canções chatinhas que mais emperram do que avançam a narrativa atrapalham um pouco.
O elenco carismático tenta compensar essas falhas se esgoelando e dançando a todo momento. Mas a trama bobinha e ingênua à la “Lua de Cristal” (“siga o seu sonho, ele está na sua frente”) parece datada e é um pouco forçada, ainda mais em tempos tão cínicos quanto os atuais (muita gente considera esse romantismo pueril e otimista um dos trunfos do longa; eu leio mais como o bom e velho lema liberal, seja pobre, mas seja feliz, “paciência e fé”, como diz a música).

Outro ponto positivo do longa é a questão da representatividade latina, mesmo que a produção apenas pincele sem muito desenvolvimento a questão do preconceito contra os imigrantes nas EUA. Uma das cenas mais belas e emocionantes do longa é justamente sobre isso, a sequência musical em que a Avuela (a ótima Olga Merediz) canta sua origem.
Para quem gosta de uma pegada ingênua e tem paciência para ouvir 2h20 de música, o filme pode realmente ser uma delícia. Para mim, ele é um musical que fica no meio entre a ousadia e o clichê maçante, cortesia do novo Midas Lin-Manuel Miranda, o Ryan Murphy dos musicais.