A última carta de amor

“A Última Carta de Amor” não esconde suas intenções de ser um novo “Diário de uma Paixão“, ou qualquer outro filme adaptado dos livros de Nicholas Sparks. O longa abraça sem vergonha o melodrama e o ideal, um tanto antiquado nos dias de hoje, de um amor romântico que tudo supera, inclusive a passagem do tempo.

Também baseado em um romance (aqui de Jojo Moyes), assim como “Diário de uma Paixão“, o longa se divide em duas linhas narrativas, uma no passado e outra no presente, ambas envolvendo paixões avassaladoras, tragédias e/ou frustrações amorosas.

Ao invés de focar no mesmo casal, no entanto, como no filme baseado no livro de Sparks, a produção narra a história de dois desconhecidos do presente que são influenciados por uma paixão do passado (lembrando um pouco o hoje esquecido “Possessão“, drama estrelado por Gwyneth Paltrow no início dos anos 2000).

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Um dos problemas da produção está justamente aí. Enquanto a trama do passado é envolvente e bem realizada, com ótimos figurinos e fotografia e uma boa química entre Shailene Woodley e Callum Turner, a história do presente parece forçada e desnecessária. Esse recurso, que mais parece feito para dar um ar de esperteza à história, sempre distancia o público do que realmente é interessante.

Felicity Jones é uma boa atriz e se empenha no papel de uma jornalista que não acredita mais no amor e que acaba se deparando, em meio a uma matéria, com cartas de amor que parecem ser de uma relação proibida. As cartas mostram uma paixão avassaladora entre “J” e “Boot”. Enquanto tenta descobrir de quem são as cartas, a jornalista acaba reavaliando a forma como se comporta em relação ao amor. Mais clichê impossível.

Ainda que não traga nada de novo ao gênero, “A Última Carta de Amor” é pelo menos um filme bem realizado, bonito de ver e fácil de assistir, apenas um tanto meloso demais para quem não compra esse ideal de amor romântico.

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