Tom Cruise: 60 anos e 6 filmes

Apesar de ter participado de filmes que fizeram sucesso lá no começo dos anos 1980, como “Toque de Recolher” e “Vidas sem Rumo“, foi uma comédia adolescente que mostrou ao mundo que Tom Cruise tinha potencial como protagonista. Com óculos Ray-Ban Wayfarer e cantando de cueca, Cruise provou ter potencial para virar astro em “Negócio Arriscado“.

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Em 1986, três anos depois, de óculos Ray-Ban Aviador, calça jeans e camiseta branca apertada, Cruise se transformaria no homem mais desejado do cinema na virada das décadas de 1980 para 1990 com o sucesso “Top Gun: Ases Indomáveis“.  No mesmo ano, ele ainda atuaria ao lado de Paul Newman, sob o comando de Martin Scorsese, em “A Cor do Dinheiro“. O resto é história.

O que se seguiu foi uma série de êxitos com Tom Cruise se dividindo entre produções mais comerciais que apelavam para sua juventude e beleza (“Cocktail” e “Dias de Trovão“) e longas de mais prestígio como “Rain Man” e “Nascido em 4 de Julho“, que rendeu ao ator sua primeira indicação ao Oscar.

A década de 1990 foi a mais promissora para Tom Cruise, com praticamente todos os seus filmes rendendo mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias norte-americanas (números que, na época, eram sinônimo de sucesso absoluto).

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Com raras exceções como “Entrevista Com o Vampiro“, “Magnólia“, “Guerra dos Mundos” e “Colateral“, Tom Cruise fez fama como galã interpretando papéis de jovens arrogantes, bem-sucedidos e sedentos pela vitória, seja pelo ganho de uma causa (como em “Questão de Honra“) ou para salvar o mundo na franquia “Missão: Impossível“). Outra característica de seus papéis é a importância da figura paterna, muitas vezes com o personagem precisando lidar com a imagem do sucesso de um pai que não está mais lá: “Top Gun: Ases Indomáveis“, “Questão de Honra“, “Magnólia“, “Vanilla Sky” , entre outros.

Com pouco mais de 40 anos de carreira, Tom Cruise enfrentou altos e baixos, especialmente depois que o cinema deixou um pouco de lado a ideia de astros para voltar sua estratégia de marketing para personagens e marcas já conhecidas, com o ator amargando uma série de filmes que, depois de 2010 para cá, não renderam nem perto nas bilheterias como seus longas do passado. Com exceção do recente “Top Gun: Maverick“, os únicos longas mais recentes do ator que foram realmente sucessos são os da franquia “Missão: Impossível“.

No auge ou não, Tom Cruise completa 60 anos (neste 3 de julho) como parte da história do cinema hollywoodiano, de jovem galã com um belo sorrisão no rosto à astro maduro com fama de controlador que, na maioria das vezes, dispensa dublês e realiza as próprias cenas de ação.

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Confira a seguir meus seis filmes preferidos do ator:

Nascido em 4 de Julho (1989) – Vencedor dos Oscar de melhor direção e edição, o longa é dirigido por um Oliver Stone no auge da carreira em Hollywood, depois de comandar sucessos como “Platoon” e “Wall Street, Poder & Cobiça”. O filme rendeu a Tom Cruise a sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator e mostra um lado mais frágil e revoltado inédito até então em sua trajetória de sucesso, além de desglamorizá-lo em um de seus raros trabalhos a não apelar para seu rostinho bonito. Mesmo seguindo a lógica unafinista estadunidense, a produção consegue criticar a Guerra do Vietnã e é um belo e envolvente filme.

Entrevista com o Vampiro (1994) – Quase 30 anos depois do seu lançamento, o filme segue como um dos meus preferidos da vida. Dirigido da forma mais suntuosa e afetada possível por Neil Jordan, o longa foi um evento e trazia o elenco masculino (Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas e Christian Slater) mais desejado da primeira metade dos anos 1990 em uma história de vampiros banhada em homoerotismo. Com a melhor equipe técnica existente (figurinos de Sandy Powell; direção de arte de Dante Ferretti; fotografia de Philippe Rousselot; e trilha sonora de Elliot Goldenthal), Jordan usa vampiros como metáfora para criar um belo filme melancólico sobre vazio existencial e vaidade. Operístico e bem gay, o longa ainda apresentou ao mundo uma novinha Kirsten Dunst.

Jerry Maguire, A Grande Virada (1996) – No auge da carreira, não deixa de ser um passo ousado, para a época, Tom Cruise protagonizar essa dramédia, já que ele interpreta um agente esportivo que dá de cara com o fracasso, praticamente o pior crime para a sociedade egocêntrica e liberar estadunidense. Tendo que começar do zero com o problemático único cliente que lhe restou, ele acaba se envolvendo ainda com uma mãe solteira simpática, vivida pela então desconhecida Renée Zelwegger. Lindamente dirigido e escrito por Cameron Crowe, o longa é uma delícia, delicado e envolvente, com Cruise esbanjando charme.

Magnólia (1999) – Inspirado pelas belas canções de Aime Mann, Paul Thomas Anderson transforma a vida de um bando de fracassados em poesia nessa longa jornada ao inferno que culmina em uma das cenas mais nonsense do cinema. Com a ajuda de uma chuva de sapos, Tom Cruise, Julianne Moore, William H. Macy, Jason Roberts e mais uma penca de atores foda, a produção não desvia o olhar da raiva, dor, humilhação, decepção, mágoas e ressentimentos de seus personagens miseráveis.

Minority Report, A Nova Lei (2002) – Vince anos depois de seu lançamento, “Minority Report” mais parece um episódio extendido e de luxo de “Black Mirror“. A premissa é interessante e a encenação é muito bem conduzida por Steven Spielberg. No futuro, videntes preveem assassinatos, diminuindo a taxa alarmante de crimes. O cineasta faz a festa com essa ideia emprestada de um conto do mestre da ficção científica Philip K. Dick, principalmente na manipulação das imagens feitas pelo personagem de Tom Cruise. Mas estamos falando de Spielberg, Cruise e Hollywood, então, em algum ponto, o longa abandona as perguntas que lança e vira um jogo de gato e rato comum (mas muito bem feito) com uma resolução piegas e simplista. Ainda assim, além da ótima direção de arte e fotografia e dos efeitos especiais, o filme tem pelo menos uma cena genial: a perseguição das “aranhas” em um prédio.

Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018) – A trama é aquela confusão de traições e reviravoltas sem fim, mas Christopher McQuarrie (o primeiro diretor a voltar a dirigir um novo capítulo da série) entendeu que ninguém se importa e capricha nos cenários grandiosos e edição épica. Ele pisa então no acelerador e entrega um filme de ação ágil e todo trabalhado na velocidade. Quase um tiozão, Tom Cruise continua carismático e não deixa que a idade o impeça de correr, pular e se lascar inteiro. Entre um respiro e outro na ação, temos as cenas mais dramáticas/melancólicas da série e o homem mais bonito do mundo ali no meio-campo (Henry Cavill). Resultado: é o melhor M:I e uma aula de como fazer um bom cinema de ação.

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