
Não há gênero com mais prestígio atualmente na TV do que as minisséries de suspense que giram em torno de um ou mais assassinatos. Da mais recente temporada de “True Detective” às elogiadas “Objetos Cortantes” e “Mari of Easttown”, essas produções atraem diretores renomados e grandes estrelas como Amy Adams, Kate Winslet e Jodie Foster.
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“O Casal Perfeito”, da Netflix, parece não só seguir esse caminho como querer repetir o sucesso da primeira temporada de “Big Little Lies”. A nova minissérie copia, inclusive, a estrutura de depoimentos de personagens periféricos comentando e soltando pistas sobre o comportamento dos protagonistas (abandonada sem razão na metade da minissérie).
Mas, se o programa mira em “Big Little Lies”, ele acerta em “The Undoing”, com quem compartilha não só diretora Susanne Bier e a atriz Nicole Kidman, mas também a narrativa novelesca. A minissérie, na verdade, deve muito mais a séries como “Revenge” e “How to get away with murder”, graças à edição cheia de idas e vindas no tempo e à narrativa que sobrevive à base de reviravoltas.

Sobre a trama, às vésperas do casamento do filho do meio da abastada família Winbury, um assassinato abala a paz de todos. O corpo encontrado na praia desencadeia uma investigação que começa a revelar que a aura de família feliz de comercial de margarina não é real, com segredos guardados dentro do armário, traições, dívidas e por aí vai.
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Se a trama não apresenta absolutamente nada de novo, pelo menos a história é envolvente e prende a atenção do espectador. Mas, infelizmente, “O Casal Perfeito” não passa de um amontoado de clichês, com Susanne Bier carregando no tom de novelão mexicano enquanto o roteiro entrega péssimos diálogos, pistas falsas e buracos na lógica.
Enquanto a minissérie se ocupa em enganar o espectador, ela esquece, por exemplo, de contextualizar e desenvolver melhor os personagens. O casal perfeito vivido por Kidman e Liev Schreiber, por exemplo, nunca convence, especialmente porque, segundo o roteiro, eles são o modelo de uma série literária de sucesso.

Já os outros personagens que orbitam esse casal mal são pessoas de verdade, e sim apenas fantoches em meio a um roteiro esquemático mais preocupado em usá-los como elemento-surpresa do que realmente desenvolvê-los. Os seis episódios de “O Casal Perfeito” parecem então poucos diante de tantas motivações e personagens que seguem a rotina de luxo, banhos de sol e de piscina enquanto são investigados de forma um tanto amadora como suspeitos.
Se a trama de “O Casal Perfeito” pouco convence, resta ao elenco segurar as pontas dessa história cheia de falhas. A principal chamariz da minissérie, Nicole Kidman passeia com elegância pelos episódios, funcionando mais como uma coadjuvante de luxo do que propriamente a protagonista. Este papel cai no colo de Eve Hewson (de “Flora e Filho – Música em Família”), que vive a noiva intrusa como uma mocinha (chata) de novela das seis.
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O resto do elenco faz o que pode para defender seus papéis, com destaque para as mal aproveitadas Isabelle Adjani e Meghann Fahy (da segunda temporada de “The White Lotus”) e, talvez, a melhor em cena: Dakota Fanning, em um registro bem diferente dos recentes “Ripley” e “Os Observadores”.
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