Eternos

Chloé Zhao dirigiu o intimista “The Rider” e o contemplativo e tocante “Nomadland”. Esperava-se então muito da estreia da cineasta vencedora do Oscar no mundo dos blockbusters, nada mais nada menos do que em uma das produções mais ambiciosas do universo Marvel.

Talentosa, a diretora consegue compor algumas belas imagens e entrega cenas impactantes em termos de escala (especialmente na tela enorme de um Imax), mas é uma pena que o gigantismo do longa fique apenas nos cenários grandiosos. Perdido entre ser mais uma aventura de heróis dos HQs e a pretensão de ser algo além, “Eternos” é uma bagunça.

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O filme não é ruim ou mesmo lento demais, como dizem algumas críticas, ele é apenas desinteressante. Zhao leva uma vida para desenrolar propriamente a trama, exagerando no uso de flashbacks que pouco acrescentam à história, tudo para, supostamente, desenvolver a fileira de personagens que dividem a tela, com o drama de cada um praticamente atropelando o anterior.

O longa tenta ainda ter um verniz mais filosófico e existencialista, focando na razão de ser dos eternos, seres cósmicos e imortais criados para salvar a humanidade dos monstros desviantes. Mas a tentativa de entregar um filme da Marvel mais importante e diferente não decola basicamente porque é, em sua essência, mais um filme mediano da Marvel, com diálogos sofríveis e desenvolvimento superficial.

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Elogiada por conseguir tirar interpretações comoventes de não-atores tanto em “The Rider” como em “Nomadland”, Zhao perde a mão com o elenco hollywoodiano. Óbvio que um longa sobre seres cósmicos não precisa adotar um tom naturalista, mas o elenco de rostos conhecidos de “Eternos” carrega no tom teatral e nas posturas enfileiradas olhando para o horizonte, uma propaganda perfeita para vender bonecos mas que falha em criar personagens reais e empáticos.

No geral, estão todos fraquíssimos, sendo que Salma Hayek, Kumail Nanjiani (que some da trama em determinado momento sem a menor explicação) e Brian Tyree Henry são os destaques, no mal sentido. Angelina Jolie, a maior estrela do elenco, pouco tem a fazer e foi contratada para ser bela empunhando uma espada luminosa, enquanto Gemma Chan consegue se sair melhor como a verdadeira protagonista do longa.

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A trama do filme ainda é boba e confusa, com personagens trocando de lado sem o menor sentido ou propósito, apenas porque o roteiro (ruinzinho) assim o quis. A virada do personagem de Richard Madden é risível e mina ainda mais a credibilidade de um longa que não se decide entre o tom solene e a pegada típica de humor hétero tio do pavê das produções da Marvel.

“Eternos” morre assim na praia afogado em suas próprias pretensões. É sim um filme de embalagem bonita, com algumas das melhores composições visuais dos longas da Marvel (as cenas com Arishem são realmente belíssimas), e importante por sua intenção de ampliar a ideia de representatividade no universo Marvel, mas é uma experiência cansada e vazia que falha ao tentar o caminho do diferente.

PS: Nunca li as histórias dos Eternos nas HQs, mas uma adaptação cinematográfica precisa levar em consideração quem não conhece os personagens, e o longa não acerta ao transpor os heróis das páginas para a telona.

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