Os melhores filmes da década 2010-2019

Para mim, os últimos anos não foram necessariamente bons ou ruins em termos de cinema. A culpa é menos do cinema em si e mais do fato de que envelhecer te torna mais exigente e as coisas, eventualmente, causam menos impacto (em mim). Mas segue uma lista dos filmes, sem uma ordem de preferência, que mais me marcaram entre 2010 e 2019 (desconsiderando a polêmica se a década termina esse ano ou no próximo).

– Carol (2015) – É lindo ver Todd Haynes filmar o modo como Carol e Therese se apaixonam. Dono de um cinema ao mesmo tempo poderoso e delicado, Haynes dirige mais uma obra-prima cheia de nuanças, silêncios, reflexos, olhares e sentimentos contidos, com direito ao papel mais sexy de Cate Blachett.

Outros filmes sobre paixões: “Like Crazy” (2011), o musical “Begin Again” (2013), “Me Chame Pelo seu Nome” (2017), o nacional “Praia do Futuro” (2014), o francês “Retrato de uma Jovem em Chamas” (2019), “Weekend” (2011), “Namorados para Sempre” e o amargo “Antes da Meia-Noite” (2013).

– Mulheres do Século XX (2016) – Mike Mills usa a história pessoal para criar um filme delicado e emocionante, com um roteiro maravilhoso, encenação impecável e elenco carismático que dá vontade de abraçar e não largar mais. É visível o carinho que o diretor tem pelas personagens, e o resultado é pura emoção.

Outros filmes sobre famílias: “Toy Story 3” (2010), “Capitão Fantástico” (2016), “Divertidamente” (2015), “Assunto de Família” (2018) e “Lady Bird” (2017).

– Krisha (2015) – Depois de um close perturbador e um plano-sequência que apresenta todos os personagens, esse suposto drama familiar vira um filme de horror psicológico assustador que vomita amargura, ressentimentos, acusações e fantasmas do passado de uma forma destruidora.  O diretor estreante (Trey Edward Shults) troca a tradicional abordagem melodramática do tema “festa em família” por uma edição marcada, uma belíssima câmera caseira, uma trilha sonora seca e cortante e uma narrativa tensa que vai direto ao ponto.

Outros filmes sobre famílias nada felizes: “Miss Violence” (2013), “Cafarnaum” (2018) e “O Reino Animal” (2010).

– Upstream Color (2013) – Mistura de romance, ficção científica e drama existencial, esse filme de Shane Carruth nem sempre faz sentido, mas quando faz é uma das coisas mais estranhas e bonitas que já vi. O cineasta dirige a produção da forma mais sensorial possível, destacando cores e sons para sentirmos a mesma confusão, apatia e vazio existencial dos dois protagonistas que passaram pela mesma situação de abuso. O resultado é lindo, poético e caótico.

Outros filmes estranhos: “It Follows” (2014), “Sob a Pele” (2013), “Holy Motors” (2012) e “Perfect Sense” (2011).

– Destino Especial/Midnight Special (2016) – Jeff Nichols filma tudo lindamente e entrega um longa ambicioso que deixa uma série de perguntas sem respostas de forma inteligente e bem-vinda. Com ecos de “Stranger Things” e “Looper” e suas crianças especiais e emulando à abordagem profética e misteriosa de seu maravilhoso “O Abrigo”, Nichols faz uma homenagem ao cinema dos anos 1980 sem ser óbvio e cria um universo envolvente e intrigante.

Outras sci-fi:Ex-Machina” (2014), “A Chegada” (2016), “Blade Runner 2049” (2017), “Perdido em Marte” (2015), “Aniquilação” (2018) e “Ad Astra” (2019).

– O Lagosta (2015) – Com um roteiro mergulhado em ácido, um elenco eclético e uma direção quase cirúrgica de Yorgos Lanthimos, esse é um dos filmes mais originais da década,  uma sátira mordaz à obsessão da sociedade pelo encontro do “par perfeito”. Em algum futuro, você não é nada se não tiver um parceiro, mesmo que essa parceria seja toda baseada em similaridades estúpidas e falsas. Caso você não encontre o seu parceiro em um hotel especializado nisso, você vira um animal (!!!).

Outros filmes originais: “Até o Fim” (2013), “Frances Ha” (2012), “Monstros” (2010), “Cópia Fiel” (2010), “Aquarius” (2016), “mãe!” (2017), “Whiplash” (2014) e “O Abrigo” (2011).

– Sombras da Vida/A Ghost Story (2017) – Um misto de produção “indie existencial” com “filme de terror”, o longa de David Lowery economiza nos diálogos e na ação e usa longos planos para refletir sobre amor, memória, passagem do tempo, perda e solidão de forma angustiante e melancólica, resultando original e simples. As cenas do fantasma coberto com um lençol e dois furos pretos nos olhos são assustadoras, poéticas e tristes.

Outros filmes tristes sobre vazio: “Paterson” (2016), “Melancolia” (2011), “Shame” (2011), “Manchester À Beira-Mar” (2016), “Another Earth” (2011) e “Ela” (2013).

– Você Nunca Esteve Realmente Aqui/You Were Never Really Here (2017) – Lynne Ramsay precisa de apenas 90 minutos para mostrar que é uma das melhores e mais viscerais cineastas da atualidade. “Lindamente” filmado, o longa é uma porrada que jorra sangue na cara do espectador e mistura abuso sexual, pedofilia, violência doméstica e traumas do passado. Mesmo banhando a produção em violência, a diretora ainda encontra tempo para delicadeza em cenas fundamentais para humanizar um Joaquin Phoenix brutamontes e assustador.

Outros filmes “a violência salva”: “Bacurau” (2019), “Mandy” (2018) e “The Invitation” (2015).

Mad Max: Estrada da Fúria (2015) – Uma aula de como fugir da fórmula óbvia do cinema de ação, essa continuação temporã de uma série que saiu do mapa ainda na década de 1980 mostra que George Miller é um dos Midas da sétima arte. O cineasta cria uma montanha russa vertiginosa e explode a tela em cores laranjas e vermelhas para contar uma trama sobre poder, dominação, religião, fanatismo e esperança, entregando ainda a Charlize Theron o seu papel mais icônico, o da anti-heroína Furiosa.

Outros filmes “estética acima de tudo”: “Inception” (2010), “Drive” (2011), “Roma” (2018), “A Girl Walks Home Alone at Night” (2014) e “A Criada” (2016).

– A Rede Social (2010) – David Fincher é o cara e narra aqui a fundação de uma das maiores e mais importantes redes sociais da atualidade (o Facebook). Com o roteiro perfeito em mãos e um elenco jovem e certeiro, o cineasta entrega sua grande obra-prima, um filme ágil, moderno e impactante que aposta em enquadramentos pouco convencionais e em uma narrativa vigorosa e passional para mostrar as bases do que viria a ser um império midiático que mudou a comunicação e, de quebra, o mundo (para pior, claro).

Outros filmes “Hollywood ainda sabe fazer cinemão”: “Capitão América: Soldado Invernal” (2014), “Dunkirk” (2017), “Creed” (2015), “Cisne Negro” (2010), “Missão Impossível: Efeito Fallout” (2018), “Ford e Ferrari” (2019), “Capitão Phillips” (2013), “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) e “O Homem-Aranha no Aranhaverso” (2018).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s